— Falta pouco, deve ser amanhã.
Dália comia uma perna de caranguejo e falou com naturalidade.
Tio Eleazar perguntou: — Você não está nervosa?
Amanhã saberiam se Dália conseguiria o Primeiro Lugar Nacional no ENEM.
Toda a vila estava curiosa para saber a nota da famosa jovem da família, só ela não ligava nem um pouco para isso.
— Nervosa com o quê? É só deixar acontecer, na pior das hipóteses eu ainda tenho uma Vaga de Excelência Acadêmica garantida.
Dália tinha recusado a vaga, mas a Universidade B valorizava o talento e ainda queria esperar o resultado do ENEM.
Ao saberem que ela queria medicina, os professores do departamento de matemática lamentaram.
Eles queriam que Dália pensasse melhor.
Mas, na verdade, Dália já tinha se decidido.
— É bom ter a cabeça tranquila.
Dona Campos terminou de comer dois caranguejos; ela só tinha elogios para a postura da neta.
Depois da refeição, a velha senhora caminhou pelo quintal segurando Bani.
Dália ajudou Tia Noemia a recolher a louça, mas assim que colocaram as coisas na bancada, Tia Noemia não deixou Dália fazer mais nada.
— Vai dar uma volta lá fora, eu lavo.
Tio Eleazar entrou na cozinha em seguida: — Isso, não precisamos de você aqui, vá fazer companhia para sua avó.
Dália não teve o que fazer e saiu para ficar com a avó.
Dona Campos não se surpreendeu ao ver a neta sair.
Ela acariciou as costas de Bani: — Olha, sua irmã chegou.
Dália pegou Bani das mãos da velha senhora: — Vó, quer ir comigo para a Cidade Y por um tempo?
Dona Campos balançou a cabeça: — Os dias estão ficando cada vez mais quentes, a Cidade Y não é tão fresca quanto o interior.
O interior realmente era mais fresco. Com aquele clima, ainda havia uma brisa fria, e ao meio-dia bastava usar um leque para conseguir dormir.
Mesmo quando esquentasse mais em julho e agosto, só precisariam de um ventilador.
Quando ela quisesse sair, sairia naturalmente.
Dália conversou com Dona Campos sobre as paisagens da viagem para o Vale das Nuvens e mostrou fotos a ela.
A velha senhora também se interessou muito e as duas ficaram conversando.
— Eu também fui ao Vale das Nuvens quando era jovem. As minas no País M foram compradas pelo meu avô no passado. Naquela época, eles iam para onde ouviam que dava para ganhar dinheiro.
— O Vale das Nuvens se desenvolveu muito bem agora...
— Sua sorte com apostas é boa, eu também brincava de apostar em pedras quando era jovem.
Kellen Campos era a filha da Família Campos; o que ela quisesse jogar, o pai conseguia para ela.
Quanto às pedras, ela mesma foi ao País M e ficou famosa por lá.
No entanto, Kellen Campos não ficou viciada naquilo.
Sua aposta nas pedras não era como a sorte de Dália; ela tinha estudado.
Na época, qualquer atividade com pedras que Milena quisesse fazer, ela estudava cada detalhe antes; nunca entrava em algo sem ter garantia de sucesso.

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