Não estava congelante, mas fazia frio o suficiente.
Os invernos em Slegate sempre foram assim, úmidos e congelantes. Quando começava a chover, o frio parecia entrar direto nos ossos.
Skye mandou uma mensagem: “Está nevando em Blakchester. A primeira neve do ano. Quer vir ver?”
As duas tinham crescido em Slegate, onde neve era algo raro, então sempre tiveram esse carinho quase infantil por ela.
Kylie realmente queria ir.
Mas, no fim, respondeu: “Outra hora, querida. Estou com um projeto em andamento e ainda não consegui fechar. Se eu for, não vou conseguir relaxar.”
Skye revirou os olhos diante daquela viciada em trabalho e disse: “Não se force tanto, tá? Cuida da sua saúde.”
“Eu sei.”
“Não adianta só saber. Tem que fazer!”
Aquele cuidado vindo da amiga trouxe um pouco de calor, afastando parte do frio da chuva.
Kylie estava prestes a sair do prédio quando seu celular tocou. Era Melinda.
“Kylie, meu irmão está doente. Pode vir ao hospital? Ele se recusa a ficar internado, não consigo fazer ele me ouvir.”
Ela chamou um táxi na mesma hora. Quando chegou, Arthur estava discutindo com o médico, insistindo que não precisava ficar internado porque ainda tinha muito trabalho para terminar.
O médico o repreendeu com seriedade: “Ainda está preocupado com trabalho? Quer morrer? Olha isso, o resultado do seu exame deu 300. O normal é entre 0 e 40.”
Melinda viu Kylie e praticamente correu até ela, como se tivesse encontrado uma salvação. Apontou para o irmão e implorou:
“Por favor, fala alguma coisa para ele.”
“O que está acontecendo?” Kylie franziu a testa.
Arthur tentou minimizar a situação. “Não é nada sério.”
Mas antes que ele terminasse, Melinda o interrompeu e começou a despejar tudo de uma vez.
“Como assim não é nada? Você vomitou, desmaiou no escritório e teria se dado muito mal se a sua assistente não tivesse voltado para buscar uma coisa”, ela rebateu.
A garota estava furiosa. Ignorou completamente o olhar de advertência de seu irmão.
“Não me olha assim, ainda não acabei! Kylie, você precisa fazer alguma coisa. Ele trata o próprio corpo como se não tivesse valor. Trabalha até desabar. Está assumindo o serviço de dez pessoas. A assistente contou que ele não volta para casa há uma semana. Come, dorme e vive naquele escritório. Isso é loucura!”, a voz saiu alguns tons acima do normal.
Enquanto falava, os olhos dela se encheram de lágrimas. Sua voz falhou: “Se acontecer alguma coisa com você, e a mamãe? E eu? O que vamos fazer?”
O pai de Arthur havia falecido quando Melinda ainda estava no ensino fundamental. A saúde da mãe nunca foi boa, então todo o peso da família acabou caindo sobre Arthur.
Ele virou o pilar da casa, o único em quem podiam confiar.
“Não exagera”, Arthur respondeu, sem querer que Kylie ficasse preocupada.
Ele vinha escondendo dela a pressão financeira, justamente para não distraí-la. Mas quando acabou desabando de tanto trabalhar, a verdade veio à tona.
Kylie viu tudo claramente.
Ela o encarou e disse com firmeza: “Quando está doente, precisa descansar. Quando falta gente, precisa contratar. Foca na parte técnica e deixa o dinheiro comigo. Para de querer carregar tudo sozinho.”
Melinda riu, claramente satisfeita. “Viu? Você é incrível. É a única que consegue colocar meu irmão nos trilhos.” Ela segurou o braço de Kylie e provocou. “Agora ele vai ter que se comportar, não é? Você devia casar logo com ele e virar minha cunhada.”
“Melinda.” Arthur ficou vermelho de vergonha.
Kylie não levou a sério. Em vez disso, perguntou: “Você faltou à aula para vir aqui?”
“Faltei.” Melinda admitiu. “Mas só por algumas horas. Logo, preciso voltar. Então cuida do Arthur para mim.”
Kylie concordou. “Claro.”
Melinda piscou para Arthur antes de sair, claramente tentando deixar os dois sozinhos.
Ele sabia que ela não tinha faltado só por algumas horas. Aquilo havia sido proposital.
Kylie ficou ao lado dele até o soro terminar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Antes uma tola por amor, agora protagonista
Tem capítulos faltando, ex: 172 a 176....