Elmer Sowle estava prestes a sugerir que marcassem o quanto antes, quando Axel soltou um suspiro desanimado.
— Esquece. Não há nada que valha a pena tratar. Cada dia extra que eu vivo já é lucro. Não tenho mais vontade de lutar contra isso.
— De jeito nenhum.
A recusa veio em uníssono, tanto de Elmer quanto de Evan.
— Axel, se não por você, faça pelo seu pai — insistiu Elmer, a voz tomada por um tom de pânico. — Você precisa continuar.
O olhar de Axel se desviou, lento e pesado.
— No ano em que minha mãe morreu, ele e eu morremos junto com ela. Desde então, tenho vivido de tempo emprestado. Diria que já tirei o valor do ingresso.
Elmer abriu a boca, pronto para argumentar.
Mas Axel já estava de pé, pegando o paletó.
— Vou pra casa jantar com o velho. Fiquem o tempo que quiserem.
Elmer abriu a boca para chamá-lo de volta.
Mas as palavras morreram ali.
O semblante de Evan era sombrio.
— Isso não é bom. Ele está regredindo. Pior do que antes. Naquela época, ele tinha tendências suicidas ativas. Foi a Kylie quem o tirou desse buraco, deu a ele algo em que se apoiar. Isso, e a obsessão pela vingança da mãe.
— Agora que a vingança acabou e a Kylie se foi, ele não tem mais objetivo. Nada pelo que viver.
As palavras se alojaram no peito de Elmer como algodão encharcado de água. Ele mal conseguia respirar.
Como amigo de Axel, sentia-se envergonhado.
Conheciam-se há anos, e mesmo assim sabia tão pouco.
Não sabia que, após a morte de Rachel, Axel mergulhara num quadro severo de estresse pós-traumático.
Não sabia das ideias suicidas, nem que ele fazia terapia intensiva há anos.
Não sabia que ele passou sete anos caçando os responsáveis, colocando-se na linha de fogo, quase perdendo tudo no processo...
Que tipo de amigo era ele?
Só nos últimos dois anos, visitando Axel aos poucos naquela clínica, conseguiu juntar fragmentos da verdade.
E mesmo assim, era só a superfície.
Quanto às feridas mais profundas, cicatrizes que iam até o osso... Essas permaneciam seladas, inacessíveis.
Evan pousou a mão no ombro de Elmer.
— Você precisa encontrar um jeito de alcançá-lo. Ele não pode continuar assim. Mais cedo ou mais tarde, vai quebrar.
O coração de Elmer afundou ainda mais.
...
Naquela tarde, Kylie saiu mais cedo do trabalho e foi ao hotel buscar Charmaine para o jantar.
Delia preparou uma mesa cheia de pratos simples, caseiros. Nada extravagante, mas Charmaine comeu feliz, o humor leve.
Depois do jantar, Delia abriu a geladeira e tirou dois potes de vidro com xarope de gengibre e mel que ela mesma havia preparado.
Algumas semanas antes, Betty comentara ao telefone que Joshua ainda sofria com uma tosse persistente. Era resquício da forte gripe que ele pegara meses atrás.
Remédios de prescrição não adiantaram; as crises de tosse ainda o atacavam à noite, destruindo seu sono.
Delia achou que o xarope poderia trazer algum alívio.
Kylie concordou sem hesitar.
Ela já pretendia visitá-lo de qualquer forma.
Charmaine olhou para ela, cheia de esperança.
— Posso ir com você?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Antes uma tola por amor, agora protagonista
Tem capítulos faltando, ex: 172 a 176....