Leva muito tempo para construir confiança com alguém, mas um único momento pode destruí-la.
Kylie respirou fundo antes de responder à acusação de Axel. “Não fui eu.”
“Rhea disse que só você e a Mona tocaram no vestido. A Mona não ousaria.”
“Desde quando você decide o que é certo ou errado só com base no que sente, Sr. Bowen?”, Kylie retrucou.
Axel pareceu surpreso por ela ter rebatido. Ficou em silêncio por alguns segundos.
Os olhos de Kylie estavam frios quando ela encarou Rhea. “Chame a polícia! Deixe que eles descubram a verdade!”
“Você entende que chamar a polícia pode causar danos à empresa?” A expressão de Axel mudou imediatamente.
Kylie sabia, mas por que isso deveria importar para ela?
Esse não era mais a Vortex com a qual ela se importava. Não havia motivo para fazer sacrifícios!
A voz dela soou firme. “Só quero provar que sou inocente.”
Talvez fosse a primeira vez que Axel via Kylie tão séria. Pela primeira vez, ele não soube o que dizer.
O ambiente ficou tenso.
Kylie devolveu o telefone a Rhea.
Ela não se importava se Axel aprovava ou não, e não esperava que ele ficasse do lado dela agora.
Ela precisava se proteger.
Então, sem hesitar, chamou a polícia.
A expressão de Rhea mudou. “Ela realmente chamou a polícia. Você precisa voltar.”
Axel e a polícia chegaram quase ao mesmo tempo.
Ele provavelmente correu para lá, preocupado que Rhea pudesse se machucar.
Kylie contou tudo o que tinha acontecido aos policiais, pedindo que ajudassem a descobrir a verdade e limpar seu nome.
Como não havia câmeras na sala de armazenamento, os agentes sugeriram um exame forense, como a verificação de impressões digitais.
Daria um pouco de trabalho, mas poderia identificar com precisão o verdadeiro culpado.
O problema era que precisavam da autorização do dono do vestido.
No fim, ainda dependia de Axel.
Rhea se aproximou dele sem pensar. “Isso pode ser algo grande ou pequeno. Precisamos pensar primeiro na empresa.”
O rosto de Axel estava frio. Ele olhou em volta e, por fim, deixou o olhar passar por Kylie.
Ela sentiu um arrepio percorrer o corpo.
“Desculpe, isso é um assunto interno. Vamos resolver entre nós. Obrigado por terem vindo”, Axel disse, por fim.
Kylie esperava que ele dissesse isso, mas ouvir em voz alta ainda fez o peito apertar.
Os policiais acharam que a situação poderia ir para qualquer lado.
Como poderia ser resolvida internamente, era melhor recuar.
Mona nunca tinha visto Kylie e Axel brigarem daquele jeito. Estava tão assustada que mal respirava.
O ambiente ficou tenso até que Rhea falou no momento exato. “Esquece isso. Talvez a Sra. Rehbein seja mesmo inocente, e é por isso que está tão abalada.”
“Ela é sua secretária há anos. Você confia nela. Por isso não fez o exame forense. A verdade não importa mais. Vamos deixar isso para lá.”
Kylie olhou para ela, vendo o lado obscuro das pessoas pela primeira vez.
Era um belo truque... Fingir ajudar, mas mandar uma mensagem completamente diferente.
Axel seguiu a sugestão dela e recuou. “Chega. Ninguém mais fala sobre isso.”
Em nenhum momento ele defendeu Kylie.
Essa foi a atitude dele.
Kylie sentiu como se algo dentro dela estivesse se quebrando, uma dor se espalhando por todo o corpo.
Ela nem sentia mais vontade de correr atrás da verdade.
Não importava. Axel já tinha decidido o que pensava dela. Para que explicar?
Por um segundo, ela quase desejou ter feito aquilo, só para que ele tivesse um motivo para demiti-la.
Talvez fosse mais fácil.
Rhea suspirou, segurando o vestido arruinado. “A comemoração é amanhã. O que vamos fazer com um vestido assim?”
Axel olhou dentro do armário, e seus olhos pousaram em um vestido de cetim branco. “Experimente este.”

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Antes uma tola por amor, agora protagonista
Tem capítulos faltando, ex: 172 a 176....