Quando Kylie era pequena e ainda não entendia muita coisa, os colegas zombavam dela por não ter pai. Chamavam-na de nomes feios.
Chorando, uma vez ela pediu que Delia lhe dissesse onde estava seu pai.
Ela apenas a puxou para os braços, abraçando-a forte. “Você não precisa de um pai. Você tem uma mãe, e isso é o suficiente.”
Para Kylie, Delia era o mundo inteiro.
Aquele céu acima dela, não importava o que acontecesse, ela iria sustentá-lo.
Naquela época e agora, nada tinha mudado.
No dia seguinte era sexta-feira. Kylie não foi ao escritório. Nem se deu ao trabalho de avisar.
Sua mente não estava focando. Ela já tinha decidido deixar a Vortex, então as regras não importavam mais.
Os resultados da biópsia saíram. Felizmente, o tumor de Delia era benigno.
Isso deu a Kylie um pequeno alívio.
Mas então Wendell explicou... Os outros problemas de saúde de Delia eram graves, e a cirurgia envolvia riscos muito maiores que o normal. A equipe de especialistas talvez nem quisesse assumir um caso tão complicado.
O coração de Kylie afundou de novo.
Mesmo assim, ela disse a Wendell que tentaria, não importava o quão pequena fosse a chance.
Na Vortex, Mona entrou nervosa no escritório de Axel, carregando uma pasta.
Ele nem levantou os olhos. Antes que ela pudesse escapar, a voz dele cortou o ar: “Onde está a Sra. Rehbein?”
Mona respondeu com sinceridade: “Ela não veio hoje.”
As sobrancelhas de Axel se franziram, os traços afiados cobertos por uma camada de frieza.
Mona prendeu a respiração, preparando-se para o pior.
Felizmente, ele não disse mais nada.
Assim que saiu do escritório, Mona levou a mão ao peito e suspirou.
Axel quase lhe causou um ataque do coração.
Ela escapou para o banheiro e ligou rapidamente para Kylie, falando baixo.
“Por que não veio trabalhar hoje?”
Kylie hesitou. “O Sr. Bowen perguntou por mim?”
“Perguntou”, Mona sussurrou: “Mas só isso. Não disse mais nada.”
Kylie achou que ele tinha perguntado por hábito.
Afinal, ela tinha sido a secretária para tudo dele por sete anos. Era natural que ele estranhasse um pouco a ausência dela.
“Tenho coisas para resolver. Não consigo ir ao escritório”, explicou Kylie.
“Quer que eu avise ele?”, Mona perguntou.
“Não precisa.”
Como ainda estava no trabalho, Mona não se atreveu a falar muito. Depois de algumas palavras, desligaram.
Kylie largou o telefone e voltou a preparar os documentos para a equipe de especialistas. Ela não tinha tempo nem energia para pensar se Axel se importava ou não.
Trabalhou até tarde da noite, organizando os arquivos.
A voz da mãe a assustou. O brilho fraco do telefone provavelmente tinha atrapalhado o descanso frágil de Delia.
“Já vou dormir, mãe. A senhora também precisa descansar.” Kylie guardou o celular rapidamente e se deitou quieta na cama dobrável ao lado do leito do hospital.
A cama era metade da altura da cama de paciente.
Kylie a mantinha perto para poder cuidar da mãe com facilidade.
Delia estendeu a mão e tocou a cabeça dela.
Como sempre fazia, acariciou suavemente os cabelos da filha.
No escuro, Kylie mordeu o lábio para impedir que o choro escapasse. Mesmo assim, as lágrimas deslizaram silenciosas pelo rosto.
Ela agradeceu pelas luzes estarem apagadas.
A voz de Delia estava fraca, quase um sussurro. “Pode pedir ao Sr. Bowen para vir ao hospital?”
A garganta de Kylie se apertou. Ela forçou a voz a sair firme. “E-Ele está muito ocupado.”
“Eu sei. Mas isso é sobre o seu futuro. Quero falar com ele pessoalmente.”
Kylie cobriu a boca com a mão, com medo de desabar em lágrimas.
Felizmente, Delia não percebeu. Ela continuou falando baixo. “Só me preocupo que algo dê errado durante a cirurgia. Se eu não conseguir, preciso pedir a ele que cuide de você.”
Kylie segurou a mão da mãe que descansava sobre sua cabeça.
Ela estava gelada.
Apertou-a com força, tentando passar seu calor para ela, como se assim pudesse segurá-la para sempre.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Antes uma tola por amor, agora protagonista
Tem capítulos faltando, ex: 172 a 176....