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Antes uma tola por amor, agora protagonista romance Capítulo 23

“O Dr. Sherman está no consultório?”

A enfermeira assentiu, dizendo que sim.

Kylie disse que iria falar com ele sobre a situação e saiu apressada do quarto.

No momento em que entrou no corredor, as lágrimas finalmente transbordaram.

Ela vinha segurando havia tempo demais. Com medo de que a mãe percebesse, continuou andando até chegar a um canto silencioso. Só então deixou as lágrimas caírem livremente.

Kylie pressionou a garganta para não fazer nenhum som.

No mundo dos adultos, os colapsos geralmente acontecem em silêncio.

Não muito longe, ela ouviu vozes. Duas pessoas passavam pelo corredor.

“Axel, obrigada por ter visitado minha mãe hoje. Ela está se sentindo muito melhor. O médico disse que o bom humor ajuda na recuperação.”

A voz da mulher era suave e doce, quase brincalhona.

Axel respondeu: “Não precisa me agradecer. Acabei de falar com o Dr. Ramos. Ele mencionou que uma equipe internacional de especialistas vai chegar em breve. Pedi para ele ver se consegue fazer alguns arranjos.”

A consideração dele tocou profundamente a mulher.

“Você é tão bom comigo. Nem sei como te retribuir.”

“Garota boba. Alguma vez pedi que me retribuísse?”

Estranhamente, Kylie, que estava soluçando momentos antes, de repente se acalmou.

Era como se alguém tivesse lhe dado um sedativo.

Ou talvez fosse mais correto dizer que ela gelou até os ossos.

Um homem de negócios. Um investidor. Um homem como Axel realmente dizia que não queria nada em troca?

Claro que não. A verdade era simples: a mulher era Rhea. Era ela quem ele amava em silêncio havia anos.

Por ela, ele estava disposto a dar sem pedir nada em troca.

Na carreira, ele a protegia. Na vida, cuidava de todas as suas necessidades.

Ele dava tudo o que podia, e mais.

....

“Sr. Bowen, muito obrigada por doar a medula óssea para a minha mãe.”

Kylie, aos dezoito anos, tinha dito aquelas palavras com todo o coração.

Naquela época, Axel tinha 21. A personalidade dele era tão fria quanto é hoje.

Os olhos não mostravam calor, nem emoção. “Palavras vazias não significam nada. Não sou o tipo de homem que faz coisas de graça. Não vejo nenhuma sinceridade em você.”

Kylie, ainda jovem e ingênua, tentou entender o que ele queria dizer. Pensou bastante.

Então, corando intensamente, começou a desabotoar a camisa, botão por botão.

Isso a fez lembrar daquele ditado: a primeira coisa que se corta ao chegar ao topo é a que está mais perto de você.

Quando Kylie encontrou Wendell Sherman, o médico-chefe, ele tinha acabado de receber os exames de Delia.

Assim que Wendell soube que Kylie era filha da paciente, explicou imediatamente.

“Vê essa sombra aqui?” Ele apontou para uma mancha escura. “Esse é o tumor. A localização não é boa. A cirurgia seria extremamente difícil e arriscada.”

O estômago de Kylie afundou. Um mau pressentimento tomou conta dela.

“Não podemos confirmar ainda se o tumor é benigno ou maligno. Vamos precisar esperar o resultado da biópsia de amanhã para dizer. Mas, de qualquer forma, você precisa se preparar mentalmente.”

As palavras de Wendell foram diretas, sem deixar espaço para mal-entendidos.

“Dr. Sherman, se… Quer dizer, se for maligno, o que acontece?” A voz de Kylie tremia, sem saber o que fazer.

Por mais forte que alguém fosse, vida e morte sempre faziam a pessoa se sentir pequena e impotente.

Wendell franziu a testa. “Mesmo que seja benigno, remover o tumor dessa localização vai ser muito difícil. E com os outros problemas de saúde dela, nosso hospital talvez não tenha os recursos para lidar com isso.”

Ele ajeitou os óculos. A expressão era de desculpa.

Kylie sentiu como se uma pedra pesada tivesse caído sobre o peito, tornando difícil respirar.

Ela perguntou rápido, quase desesperada: “E outros hospitais?”

Wendell hesitou, depois disse: “Não entre em pânico. Se fosse antes, diria para você transferi-la imediatamente para o melhor centro oncológico do país. Mas agora pode haver outra opção. Só vai ser um pouco mais complicada.”

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