“Está bem.” Axel pousou a caneta e concentrou-se na ligação com Rhea.
Kylie saiu do escritório em silêncio, para não interrompê-los.
Mesmo com a porta fechada, ainda parecia sentir o ar pesado de romance pressionando o ambiente.
Ela decidiu sair mais cedo do trabalho e ir até a mansão buscar a cesta de presentes.
Axel não morava lá a maior parte do tempo. Só voltava em feriados ou em jantares de família com o pai, Joshua Bowen.
Nos dias normais, a mansão ficava quieta, apenas Joshua e Betty Brown, a governanta que cuidava dele. Todo o resto do pessoal ia embora depois do expediente.
Fazia mais de duas semanas que Kylie não aparecia por ali.
Ela ainda fez um pequeno desvio para passar numa padaria e comprar os doces favoritos de Joshua.
Quando chegou, ele estava no jardim, jogando comida no lago para as carpas.
O portão, como sempre, estava meio aberto.
Ela sabia que aquele era o jeito de Joshua dizer que ela podia entrar sem cerimônia.
Betty já tinha confessado uma vez que ele sempre pedia para deixar o portão aberto quando sabia que Kylie viria.
À primeira vista, Joshua era um homem severo, direto, que quase nunca sorria.
E a relação dele com Axel era tensa havia anos.
Quando Kylie o conheceu, pai e filho estavam no pior momento.
Joshua queria que Axel assumisse os negócios da família, mas ele insistia em começar a própria empresa.
Betty disse que aquela noite tinha sido um desastre.
Axel e Joshua brigaram tão feio que o escritório foi destruído. Antiguidades caríssimas se espatifaram por todo lado.
No fim, Axel bateu a porta e saiu.
Depois disso, Joshua deixou claro para todos: ninguém estava autorizado a ajudar a Vortex só por causa do nome Bowen.
Foi por isso que os dois primeiros anos foram tão difíceis. A Vortex mal sobreviveu.
Mesmo sendo o único herdeiro dos Bowen, isso não deu a Axel vantagem nenhuma.
As coisas só começaram a mudar nos últimos anos, graças a Kylie. Foi ela quem conseguiu suavizar a relação entre pai e filho.
No começo, Joshua também não gostava dela.
Era frio e ríspido, vivia respondendo de forma dura.
Kylie percebeu de onde Axel tinha puxado a língua afiada e o jeito distante.
Mas ela nunca desistiu. Mesmo quando recebia apenas rejeição, insistia ainda mais.
A persistência dela acabou amolecendo a visão que Joshua tinha dela.
Betty sempre dizia que, se pai e filho conseguiam se dar minimamente bem, o mérito era de Kylie.
Sem ela entre os dois, ninguém sabia por quanto tempo aquela guerra silenciosa teria durado.
Kylie parou à porta, ajeitou a expressão e então empurrou-a com um sorriso largo. “Olá, Sr. Joshua”, cumprimentou.
Ele não demonstrou muita reação, mas respondeu com um grunhido baixo.
As palavras puxaram forte o peito dela. O coração se partiu em dois.
Ela também queria isso. Planejava entrar na próxima fase da vida com Axel.
Kylie tinha preparado os anéis.
Estava tão perto.
Só faltava um passo…
Mas aquele único passo foi suficiente para destruir todos os planos dela.
No amor, ela sempre parecia ficar sem sorte.
Kylie não soube como responder à pergunta de Joshua. Ela já tinha decidido se afastar.
Três pessoas tornavam o mundo apertado demais.
Ela escolheu ficar sozinha.
Joshua, confundindo o silêncio dela com timidez, falou com bondade: “Vamos marcar um jantar em breve. Axel e eu vamos convidar você e sua mãe. Podemos conversar sobre os preparativos do casamento.”
Antes que Kylie pudesse reagir, Betty saiu do outro cômodo, segurando uma caixa de joias antiga nas mãos, o rosto iluminado por um sorriso.
O peito de Kylie apertou ao ver aquilo, uma dor que ela não conseguiu engolir.
Betty colocou a caixa com cuidado sobre a mesa, diante dela.
Joshua disse: “Isso pertenceu à mãe do Axel. Ela queria que fosse passado como presente de casamento para a futura esposa dele. Está na hora de você ficar com isso.”

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Antes uma tola por amor, agora protagonista
Tem capítulos faltando, ex: 172 a 176....