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Antes uma tola por amor, agora protagonista romance Capítulo 10

Kylie ainda não tinha terminado de acalmar Crispin quando ele desligou na cara dela.

Ela estava prestes a ligar de volta quando o nome de Axel apareceu na tela.

O estômago dela afundou. Kylie hesitou por um segundo e atendeu.

“Venha para Odonsa.”

Foi tudo o que ele disse... Seco, frio, uma ordem disfarçada de frase, antes de a ligação cair.

Kylie ficou olhando para o celular por um instante, depois soltou o ar devagar. Ela iria.

Mas não por Axel.

Ela ia por causa da AeroX. Por Crispin. Pelo projeto que ela tinha caçado, cultivado e defendido com unhas e dentes. O projeto pelo qual tinha sangrado, reescrito propostas incontáveis vezes, negociado até a voz ficar rouca.

Desistir agora seria como jogar tudo isso no lixo.

Isso também significava cancelar a sessão com o Dr. Truman. Ela já conseguia imaginar a expressão de desapontamento dele ao saber que ela tinha perdido o tratamento de novo.

Então prometeu a si mesma que, assim que tudo se resolvesse, iria se dedicar de verdade ao tratamento.

Quando o avião pousou em Odonsa, a tempestade já tinha chegado com força total. A chuva torrencial martelava a pista, e o ar frio atravessava o casaco fino dela, indo direto até os ossos.

Ela não tinha arrumado a mala direito. Não tinha comido. E a dor familiar no estômago voltou com tudo.

Mesmo assim, cerrou os dentes, pegou um táxi e foi direto para o hotel.

Já passava da meia-noite quando fez o check-in.

Exausta como estava, ainda precisava falar com Axel. Se eles não se alinhassem antes de enfrentar Crispin, toda a negociação podia desmoronar.

Com o cabelo ainda úmido da chuva, ela ligou para ele do quarto.

Chamou... Chamou... E chamou.

Quando alguém finalmente atendeu, não foi Axel.

“A Sra. Rehbein está ligando”, anunciou uma voz feminina e doce.

Rhea.

Um instante depois, a resposta abafada de Axel veio misturada ao som de água correndo.

Rhea repassou, com uma educação calculada: “Sra. Rehbein, o Axel está no banho. Talvez ligue mais tarde?”

Kylie congelou, a garganta apertando.

“Não é nada urgente”, conseguiu dizer. “Não vou incomodar o Sr. Bowen.”

Ela desligou rápido.

Do lado de fora, a chuva continuava batendo contra as janelas... Constante, implacável, ecoando como um coração contra o vidro frio.

Kylie ficou parada diante da janela do chão ao teto, seu reflexo pálido e borrado na escuridão. Odonsa era mais fria que Slegate. Mais fria em todos os sentidos.

Outra cólica se retorceu forte em seu abdômen. Quando finalmente se arrastou até o banheiro, percebeu que sua menstruação tinha começado, quase uma semana antes, e muito mais dolorosa que o normal.

Quando ligou para a recepção pedindo analgésicos e absorventes, já estava coberta de suor frio.

Os funcionários chegaram, olharam para ela e empalideceram.

“Sra. Rehbein, a senhora não parece bem. Quer que a levemos a um hospital?”

Kylie balançou a cabeça com fraqueza. “Estou bem. O remédio vai ajudar.”

Eles trocaram olhares preocupados. “Se piorar, por favor, nos ligue imediatamente.”

“Vou ligar”, ela mentiu.

Não ligou.

Passou a noite inteira encolhida na cama, aguentando ondas de dor.

De manhã, a pele dela estava pálida como um fantasma. Nem maquiagem conseguia esconder o quanto ela parecia esgotada.

A única coisa que passava pela cabeça dela era que Axel odiava funcionários que apareciam fracos durante o trabalho. Ela não iria dificultar ainda mais as coisas para si.

Então se forçou a descer no horário, indo até o restaurante do hotel para comer algo leve.

Sempre impaciente.

O carro arrancou imediatamente, cortando poças e chuva.

O pão quente ficou intocado na bolsa dela. Ela não podia comer no carro dele, Axel odiava isso.

Sete anos trabalhando ao lado dele tinham condicionado bem Kylie. Ela lembrava de cada preferência, cada regra, cada limite não dito. Segui essas condições tinha virado algo automático.

Mesmo agora, com o estômago vazio e retorcido de dor, ela não ousava cruzar essa linha.

Não que ele desse espaço para isso.

“Como exatamente você negociou com a AeroX?” O tom de Axel cortou afiado, acusador.

Kylie se virou levemente, mantendo a voz controlada. “Nós já concluímos duas rodadas completas de negociações. O termo foi assinado. As duas partes concordaram com a proporção. Se mudarmos isso de repente agora, a AeroX com certeza vai...”

“Enquanto o processo não for finalizado”, Axel interrompeu, friamente: “Qualquer coisa ainda pode mudar.”

Os olhares deles se encontraram por um instante no retrovisor. A boca dele se curvou num sorriso fraco e frio.

“Depois de tanto tempo comigo, ainda não entende isso?”

Kylie baixou os olhos, depois perguntou em voz baixa: “Então posso saber por que a porcentagem está sendo reduzida?”

Dessa vez, foi Rhea quem respondeu, com um tom açucarado, mas afiado. “Do meu ponto de vista, os drones da AeroX são industriais demais. Não são comerciais o suficiente. O potencial de mercado não vai atingir as projeções. Então recomendei ajustar a proporção.”

A voz de Kylie continuou calma, mas firme. “A AeroX é uma marca comprovada, tecnologia sólida, sistema forte de pós-venda. Foi exatamente por isso que decidimos investir.”

Rhea sorriu, a condescendência se insinuando por trás dos dentes. “Negócios não são sobre sentimento, Sra. Rehbein. São sobre lucro.”

Então ela se virou para Axel com uma risada leve e provocadora.

“Parece que você não a treinou bem o suficiente.”

Axel soltou um som baixo, a expressão indecifrável. “É por isso que ela sempre vai ser apenas uma secretária. Não uma diretora de investimentos.”

Rhea riu suavemente. “Investimento exige visão e cérebro. A Sra. Rehbein só tem um bacharelado. Lidar com projetos grandes assim… Simplesmente não é a área dela.”

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