Foi a terceira vez que ela o chamou.
Ela queria conversar com ele sobre Isabella, mas ao virar-se para o lado, não ouviu nenhuma resposta de Patrick.-
No escuro, o contorno alto do nariz dele transmitia uma frieza distante.
Aurora sentiu um peso inexplicável no peito, estendeu a mão alva e sacudiu levemente o ombro dele. "Patrick?"
"Cale a boca."
Na escuridão, a voz de Patrick soou gélida e impaciente. "Estou cansado, quero dormir."
Todas as palavras de Aurora ficaram presas em sua garganta.
Quatro anos sem se verem, ele nem sequer estava disposto a ouvi-la dizer uma frase?
*
No dia seguinte.
Quando Aurora acordou, já eram oito horas, e o homem ao seu lado não estava mais ali.
Ao lembrar-se de Carolina, Aurora levantou-se às pressas.
Ela queria preparar o café da manhã para a filha.
Anos de prática na cozinha, tudo para este momento!
Ela não entendia a frieza de Patrick, mas Carolina era sua filha, seu tesouro mais precioso.
Pensar que, de agora em diante, a filha viveria ao seu lado lhe trazia algum consolo.
Aurora desceu as escadas vestindo um vestido azul-claro de babados.
Ela era bela, com pele clara e feições marcantes, o olhar envolvente, mesmo sem maquiagem, era deslumbrante.
Seu semblante frio carregava uma sedução única.
Mas assim que entrou na sala de jantar, ficou parada, surpresa…
Na sala, Isabella ensinava Carolina a preparar pastel.
Patrick estava sentado ao lado, assistindo ao iPad.
A luz do lustre de cristal se refletia sobre seu nariz alto, realçando os traços marcantes e frios daquele rosto, de uma beleza imponente.
"Carolina, coloque o recheio, passe um pouco de água nas bordas, feche, e o pastel está pronto!" Isabella ensinava Carolina com paciência.
Carolina era esperta, aprendia rápido.
Isabella não poupou elogios: "Nossa Carolina é incrível, aprende tudo tão rápido!"
"Papai, deixa a Srta. Isabella me levar, não quero que a mamãe me leve…" Carolina insistia para que Isabella a acompanhasse.
Patrick não resistia aos caprichos de Carolina e assentiu: "Tá bom, tá bom, deixa a sua Srta. Isabella te levar."
Os olhos de Carolina brilharam. "Srta. Isabella, ouviu? Papai deixou você me levar."
"Claro." Isabella sorriu. "Vou te levar em segurança até a casa antiga."
Patrick largou o iPad. "Depois do café, saímos juntos. Eu deixo vocês na casa antiga, você acompanha a Carolina para ver meus pais e, depois, vou para a empresa."
"Está bem." Isabella sorriu, o olhar iluminado.
Eles pareciam uma família feliz de três pessoas.
E Aurora, parada na porta, estava pálida, completamente deslocada, como se fosse um elemento estranho naquele espaço.
Talvez por ter parado ali tempo demais, Patrick lançou-lhe um olhar.
Sempre perspicaz, ele a fixou com seus olhos frios, sem nenhuma emoção.
Seus olhares se encontraram.
O rosto de Aurora ficou ainda mais pálido.

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