Patrick Sampaio havia retornado ao Brasil com a filha.
Aurora, imediatamente, deixou a casa impecável e preparou pratos deliciosos, típicos da terra.
Às oito da noite, enquanto tomava banho no andar de cima, ouviu o ronco do motor de um carro no quintal. Um sorriso curvou seus lábios.
Patrick e a filha tinham voltado!
Depois de quatro anos sem vê-los, o coração de Aurora transbordava de alegria. Ela vestiu um longo vestido lilás de tecido suave, a cintura marcada delicadamente, e desceu as escadas com elegância.
"Patrick!" Aurora o chamou.
O homem estava na porta, o sobretudo preto realçando a intensidade de seu olhar distante.
Seus traços eram frios e marcantes, o nariz alto e reto, os ombros largos sustentavam uma menininha adormecida, tão delicada quanto uma boneca de porcelana.
Era a filha deles, Carolina Sampaio.
O apelido dela era Carolina.
"Carolina dormiu?" Ao ver a filha, os olhos de Aurora brilharam de felicidade. Ela queria se aproximar para pegar a menina, mas logo percebeu outra mulher ao lado deles.
"Patrick."
Uma mulher bela surgiu na penumbra da noite, colocando um cachecol em Carolina. "Por que andar tão depressa? Está ventando, Carolina pode sentir frio."
"Está tudo bem, já chegamos em casa." Patrick lançou-lhe um olhar cheio de ternura. "Já está tarde, Isabella, fique aqui esta noite."
Com aquela mulher, Patrick era gentil. Nada parecido com a frieza e indiferença que demonstrava com Aurora.
E Aurora também conhecia aquela mulher.
Ela se chamava Isabella Martins.
Era a professora de Carolina.
Anos atrás, Aurora, então com vinte anos, casou-se com Patrick e deu à luz Carolina.
Na época ainda era universitária, e Patrick foi para Nova York expandir os negócios da empresa, levando apenas Carolina e Isabella.
Carolina era seu sangue, muito importante para ele.
Isabella era sua salvadora, havia lhe salvo a vida. Ela queria aprender com Patrick, e ele concordou.
Antes de partir, Patrick disse: "Aurora, você ainda não terminou seus estudos. Fique aqui e dedique-se à faculdade. Quando puder, trarei Carolina para visitá-la."
Dona Lívia era a empregada da casa, mas não tratava Aurora bem, descontando dinheiro da comida e falando mal dela pelas costas.
Dizia que Aurora não passava de uma máquina de fazer filhos, descartada por Patrick após dar-lhe uma criança.
Na última vez, Aurora não aguentou mais e pediu que ela fosse embora.
Dona Lívia voltou para a antiga casa da família, alegando que o salário não era pago por Aurora, então ela não tinha autoridade para demiti-la.
De fato, Aurora não tinha esse poder.
Na Família Sampaio, ela pisava em ovos, qualquer um podia rebaixá-la.
No entanto, depois que Dona Lívia se foi, Aurora aprendeu a cozinhar e não precisava mais ver aquela expressão azeda todos os dias. Sentiu-se muito mais leve e livre.
"Para onde foi Dona Lívia?" Patrick perguntou.
"Ela voltou para a casa antiga, não se adaptava aqui." A voz de Aurora era suave, ela não falou mal de Dona Lívia, para não parecer fofoqueira.
Patrick demonstrou certo desagrado: "Sem Dona Lívia, quem cuidará de Carolina?"
"Eu posso cuidar dela." Aurora respondeu. Não queria que Dona Lívia, aquela mulher falsa, tomasse conta de Carolina, ela transformava boas crianças em más.

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