Pelo visto, as palavras que disse a Lívia na noite anterior não a convenceram, caso contrário, ela não estaria tentando juntá-la com Guilherme daquela maneira.
Jéssica deu um sorriso resignado.
Seu nariz captou um aroma de pimenta no ar.
— O que você fez?
Jéssica perguntou, curiosa.
— Ensopado picante.
Guilherme respondeu com um ar de confiança.
— Vendo você assim, até parece que quer mudar de profissão e virar chef.
Assim que Jéssica terminou de falar, Guilherme balançou a cabeça.
— Não, não tenho interesse em cozinhar para outras pessoas.
Aquela frase era a cara de Guilherme Serra.
Jéssica havia acordado tarde e agora estava faminta.
Ela se aproximou instintivamente da mesa e viu que não havia apenas o ensopado.
Havia também canja de camarão, carne de panela com tomate e um arroz dourado com ovos.
— Que café da manhã farto!
— Já é meio-dia… não podemos almoçar só ensopado picante, não é?
Jéssica olhou para a mesa farta e nutritiva que Guilherme havia preparado para ela, sabendo muito bem que a frase anterior dele estava incompleta.
Guilherme não tinha interesse em cozinhar para outras pessoas.
Mas ela era a exceção.
Jéssica fechou levemente a mão.
— Você fez o ensopado… para competir com o do restaurante de ontem e ver qual é o melhor?
Perguntou ela, enquanto puxava uma cadeira.
— Não.
Guilherme negou com a cabeça.
— Eu só percebi que você não ficou totalmente satisfeita ontem, então fiz para você.
Ao ouvir as palavras de Guilherme, o rosto de Jéssica se encheu de surpresa.
Ela jamais imaginaria que ele havia percebido.
Na verdade, ela não tinha ficado com fome no dia anterior.
Apenas fazia muito tempo que não comia aquele ensopado, e estava com um certo desejo, sentindo que uma porção não havia sido suficiente.
Um sorriso brotou em seus lábios, e Jéssica se sentou, parecendo ansiosa para provar.
— Então, deixe-me experimentar o seu ensopado picante!
— Tem certeza de que quer comer na minha frente vestida assim?
Pelo que sabia, ele nunca deveria ter comido aquele tipo de ensopado.
E, mesmo que tivesse, as vezes poderiam ser contadas nos dedos de uma mão.
No entanto…
O ensopado que Guilherme preparou para ela era ainda mais saboroso que o do restaurante de ontem, conhecido por ser o melhor da cidade.
Jéssica não pôde deixar de pensar que ou Guilherme tinha um talento nato para a culinária, ou havia se dedicado imensamente para ajustar o sabor.
Era evidente que a segunda opção era a mais provável.
Aquele era um ensopado que Guilherme desenvolveu especialmente para ela.
Quanto mais comia, mais o coração de Jéssica se aquecia.
Vendo Jéssica devorar o ensopado que ele fez até o prato ficar limpo, Guilherme perguntou em voz baixa:
— Estava bom?
— Delicioso.
— Então… em nome do ensopado, você poderia me acompanhar a um lugar depois do almoço?
Jéssica ergueu a cabeça e perguntou diretamente a Guilherme:
— Que lugar?
— O Cemitério Jardim da Saudade.

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