Jéssica Nascimento observava o rosto de Felipe Rocha refletido no retrovisor, com uma expressão séria, e disse:
— Te pago o triplo do salário. Durante esse tempo, você finge ser o pai da Maria.
— Não aceito.
A recusa de Felipe Rocha foi direta e sem hesitação.
— Então vou te demitir, e você vai perder seu emprego.
Essa ameaça de Jéssica Nascimento, para Felipe Rocha, fazia todo o sentido.
— Chefe, tenha piedade de mim!
— Só estou pedindo para você fingir que é o pai da Maria, não estou pedindo sua vida.
— E tem diferença?
Felipe Rocha não sabia se ria ou chorava.
Ele pensava que, vindo para a Ilha W, não precisava de grandes ambições, mas pelo menos teria dias tranquilos. Jamais imaginou que Jéssica Nascimento lhe lançaria uma bomba dessas, do nada.
O sinal abriu, e Felipe Rocha voltou a dirigir devagar.
— Chefe...
Enquanto conduzia, Felipe Rocha lançava olhares furtivos para Maria, que estava no colo de Jéssica Nascimento.
Maria tinha acabado de fazer um ano. Ainda não dava para notar se seus traços lembravam os de Jéssica Nascimento, mas havia algo, ainda que sutil, do Guilherme Serra nela.
— O pai biológico da Maria... é o Guilherme Serra?
Essa pergunta, Felipe Rocha vinha segurando há tempos.
Mas agora, não conseguiu mais conter.
Jéssica Nascimento não confirmou, mas também não negou.
Felipe Rocha interpretou o silêncio dela como um consentimento.
— Não entendo, você teve um filho com o Guilherme Serra, por que não reatar com ele?
Felipe Rocha sabia que estava se intrometendo demais.
Ele não era exatamente um amigo íntimo de Jéssica Nascimento.
Também não entendia muito sobre o relacionamento dela com Guilherme Serra.

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