Até que a silhueta de jaleco branco sumiu completamente pelo corredor, Jéssica Nascimento finalmente relaxou os ombros e soltou um suspiro profundo.
Ela e Lívia Gomes se sentaram abraçadas no corredor do hospital, ambas sentindo-se exaustas, como se tivessem acabado de correr uma maratona.
— Eu quase morri de susto agora há pouco. Cheguei a pensar que ele fosse sacar uma arma! — murmurou Lívia Gomes, o rosto ainda coberto de suor frio.
Jéssica Nascimento tirou um lenço da bolsa e enxugou delicadamente o suor da amiga, enquanto relembrava as palavras que joker acabara de dizer.
— Lívia, você consegue ficar sozinha um instante? — perguntou Jéssica, em voz baixa.
Lívia a olhou surpresa.
— Consigo sim, claro. Por quê?
— Eu... queria ver o Guilherme Serra.
— Nesse caso, vou com você.
Sabendo que Lívia não ficaria tranquila deixando-a ir sozinha, Jéssica apenas assentiu.
— Tudo bem.
As duas seguiram até a porta da UTI. Não era horário de visitas, então puderam apenas observar o interior através da vidraça.
Lá dentro, Guilherme Serra estava deitado, cercado por tubos e aparelhos que causavam um impacto difícil de descrever.
Lívia lançou um olhar discreto para o rosto de Jéssica, sem entender bem o motivo daquela visita repentina.
Mesmo sem ter muita proximidade com Guilherme, a cena lhe apertava o coração.
Jéssica permaneceu imóvel, os olhos fixos em Guilherme Serra. Depois de alguns minutos, ela e Lívia foram em busca da enfermeira de plantão.
— Com licença, senhora. Alguém veio visitar o Guilherme Serra há pouco? — perguntou Jéssica.
A enfermeira balançou a cabeça.
— Acho que não. Já está bem tarde.
— Entendi...
Durante o caminho de volta ao prédio da internação, Jéssica parecia absorta em pensamentos.
— O que foi, Jéssica? No que está pensando? — indagou Lívia, curiosa.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor Tarde Demais