Cesar Batista nem sequer se deu ao trabalho de abrir o guarda-chuva; saiu correndo sob a chuva forte até a equipe de monitoramento.
— O carro da Jéssica Nascimento perdeu o controle! Chamem a polícia! Façam a liberação da pista!
Enquanto isso, dentro do carro, Jéssica Nascimento concentrava toda sua atenção no controle do freio de mão.
Ela reduzia as marchas enquanto puxava o freio de mão, centímetro por centímetro, tentando manter o máximo de controle possível.
Ao mesmo tempo, fazia o carro se aproximar suavemente do guard-rail, usando o atrito para ajudar a reduzir a velocidade.
Mas, como a velocidade anterior era muito alta e o asfalto estava escorregadio pela chuva, tudo aquilo parecia inútil, como tentar apagar um incêndio com um copo d’água.
Logo à frente, o Rio Cristalino rugia, profundo e ameaçador.
O macacão de corrida de Jéssica Nascimento estava ensopado; o suor pingava nos olhos dela.
Ainda assim, ela não podia perder a calma.
Forçou-se a manter a cabeça fria.
No pior dos casos, pensou, jogaria o carro direto no Rio Cristalino.
Jéssica Nascimento mordeu os lábios com força.
Nesse instante, um Koenigsegg cinza-escuro surgiu de algum lugar e, misteriosamente, parecia quase se fundir à noite chuvosa, aproximando-se rapidamente do carro de Jéssica.
— Jéssica Nascimento, está me ouvindo?
A voz masculina, familiar, soou de repente pelo rádio do carro.
Jéssica arregalou os olhos.
— Guilherme Serra? O que você está fazendo aqui?
Ela percebeu o Koenigsegg cinza-escuro colado atrás de si.
— Pelo visto não preciso te ensinar a reduzir a velocidade ou a usar o guard-rail.
As palavras de Guilherme Serra fizeram Jéssica soltar uma risada, apesar da tensão extrema do momento. Ela mesma se surpreendeu por ainda conseguir rir naquela situação.
— Não esqueça que sou uma piloto profissional.
— Verdade.
A conversa cessou por um instante. Guilherme Serra ainda não havia respondido à pergunta dela —
O que ele estava fazendo ali?

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