— Quer comer um docinho?
Jéssica Nascimento virou o rosto por reflexo, mas percebeu que estava perto demais de Guilherme Serra.
Imediatamente, virou-se de volta, um pouco atordoada.
Guilherme Serra notou o desconforto de Jéssica Nascimento e, sorrindo de leve, afastou-se um pouco.
— Você parece cansada. Comer algo doce pode ajudar a aliviar o cansaço.
— Melhor não, doce me dá sono.
— E fruta, aceita?
— Fruta pode ser... Você tem alguma no avião?
— Se não tiver, eu posso pousar o avião e comprar.
As palavras de Guilherme Serra fizeram Jéssica Nascimento rir.
Afinal, era um avião, não uma bicicleta para parar a qualquer momento.
— O que tiver, eu como — respondeu ela.
Guilherme Serra já sabia que Jéssica Nascimento nunca foi exigente.
Pediu que trouxessem dois cachos de uvas, um verde e outro roxo.
Antes de perguntar qual tipo de uva ela preferia, percebeu que Jéssica Nascimento parecia ter recebido uma inspiração e estava concentrada desenhando.
Então, sem dizer nada, pegou uma uva roxa, descascou-a cuidadosamente e levou até a boca de Jéssica Nascimento.
Ela se surpreendeu e olhou para Guilherme Serra, intrigada.
O semblante de Guilherme Serra era absolutamente tranquilo, como se não houvesse nada de estranho em descascar uvas para ela.
— Eu mesma posso pegar.
— Você está desenhando, deixa comigo.
— Mas...
— Sem “mas”. Eu gosto de descascar uvas, não é por sua causa.
Jéssica Nascimento ficou confusa.
Tantos anos conhecendo Guilherme Serra e nunca soubera desse “hobby” dele.
Apesar de se sentir um pouco desconfortável, acabou aceitando a uva que ele ofereceu.

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