Naquele dia, Jéssica Nascimento voltou mais uma vez à antiga casa da família Serra.
Guilherme Serra ainda não havia despertado.
Apesar de não demonstrar nenhum sinal de que abriria os olhos, seus dedos não paravam de se mover.
O instinto dizia a Jéssica Nascimento que Guilherme Serra tentava agarrar alguma coisa.
Somente ao segurar algo em suas mãos, ele sentiria segurança.
Após hesitar por um tempo, Jéssica Nascimento estendeu a mão.
Colocou uma noz na palma da mão de Guilherme Serra.
A noz era dura e um pouco áspera, e Jéssica Nascimento viu Guilherme Serra franzir o cenho, os lábios finos parecendo até que se retraíam, tal qual uma criança se sentindo injustiçada.
Estava claro que não era a noz que ele queria segurar.
Jéssica Nascimento não conseguiu conter uma risada.
Jamais imaginou que, numa situação dessas, ainda pudesse rir.
Mas ao ver a expressão de desconforto no rosto inconsciente de Guilherme Serra, Jéssica Nascimento realmente não conseguiu se segurar.
Percebeu que Guilherme Serra, em coma, era bem mais interessante do que quando estava lúcido.
— Guilherme Serra, se você não acordar, vou colocar uma noz diferente na sua mão todos os dias. Daqui a pouco, suas mãos estarão tão cheias que nunca mais poderá segurar a minha.
Jéssica Nascimento achou aquele comentário um tanto infantil, mas parecia surtir algum efeito, pois a expressão de Guilherme Serra se tornou ainda mais aflita, claramente contrariada.
Jéssica Nascimento observou Guilherme Serra em silêncio por um tempo, mas ele não abriu os olhos.
Parecia que, dentro dele, havia uma resistência em acordar.
Afinal, o que o esperava ao acordar não era tão bom quanto o que vivia em seus sonhos.
Jéssica Nascimento suspirou.
Nesse momento, alguém bateu na porta do quarto. Jéssica Nascimento pensou que fosse Leandro Serra, mas ao se virar, viu Jonas Serra parado na porta.
— Jéssica Nascimento, pode sair um momento?
Jonas Serra fez um gesto, chamando-a.

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