Apesar de Jéssica Nascimento sentir que estava sempre ocupada, sua vida era plena e ela nunca reclamava.
Naquele dia, ela foi chamada à sala de reuniões.
Na sala, havia apenas duas pessoas —
Guilherme Serra e Melissa Garcia.
O semblante sério de Guilherme Serra não parecia indicar um assunto pessoal, mas, se fosse profissional, por que Melissa Garcia estava presente? Seria tanto amor assim?
O peito de Jéssica apertou. Enfrentar Guilherme Serra e Melissa Garcia sozinha a deixava desconfortável.
— Diretor Leandro...
Ela chamou, mantendo o tom formal que ambos usavam no ambiente de trabalho.
— Foi você quem fez isso?
Guilherme Serra atirou um documento na direção de Jéssica Nascimento.
Ela não entendeu.
— Vender informações do novo produto da LC para a FY. Jéssica Nascimento, por mais insatisfeita que esteja comigo, tudo tem um limite. A empresa não é lugar para brincadeiras.
O tom de Guilherme Serra não era agressivo, mas a frieza era cortante.
Com os dedos gelados, Jéssica pegou o documento, leu de ponta a ponta em silêncio.
Não se importava de ser repreendida por Guilherme Serra.
Mas ser motivo de escárnio para Melissa Garcia era outra história.
— O novo modelo que a LC lançou este trimestre é idêntico ao da FY. Foram lançados ao mesmo tempo. Se não houve vazamento interno, como a FY teria acesso ao meu novo design?
— Seu novo design? — Jéssica olhou para Melissa Garcia. Ela mantinha o rosto impassível, sem um pingo de culpa.
O design idêntico entre LC e FY era, na verdade, criação de Jéssica Nascimento.
Ela não sabia como ou quando Melissa Garcia copiara o projeto, mas sabia que foi plágio.
— O design é meu.
Jéssica afirmou categoricamente, vendo Guilherme Serra esboçar um sorriso de desdém.
— E você acha que vou acreditar?
— Você acredita se quiser!

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