— Não chama desse jeito, desde quando alguém da família Navarro é chamada de Srta. Navarro?
— É isso mesmo! Ela já não foi adotada por outra família?
Nesse momento, uma mulher de meia-idade se aproximou de Jéssica Nascimento, analisando-a dos pés à cabeça.
— Você não é realmente a Júlia Navarro, é?
Jéssica Nascimento permaneceu em silêncio.
A mulher revirou os olhos.
— Aqui não é lugar para estranhos. Legalmente, você já não faz parte da família Navarro, não tem direito de ouvir o testamento do patriarca.
Tias e outros parentes começaram a cochichar, trocando olhares e até apontando para Jéssica Nascimento.
Jéssica então sorriu de leve, com serenidade, e respondeu:
— Pela lei, só o cônjuge, pais e filhos… têm direito de ouvir o testamento. Vocês não estão incluídos, a não ser que sejam advogados do Sr. Pablo, por acaso?
A mulher de meia-idade ficou sem palavras diante da resposta de Jéssica.
Nesse instante, Pablo Navarro apareceu na porta da casa.
— Srta. Navarro, você chegou...
— Ministro Pablo, por favor, me chame de Jéssica Nascimento.
A distância de Jéssica era evidente.
— Pra que tanta pose?
— Nem sei por que ela foi chamada, só traz coisa ruim!
— Será que não foi ela quem trouxe azar para o velho?
— Olha, não duvido.
— Olha só pra ela, o avô morreu e ela nem chorou, parece feita de pedra.
— Nem se compara à Vânia Navarro, que mesmo sendo neta adotiva, está chorando de cortar o coração. Dá até pena de ver.
Ignorando os comentários, Jéssica Nascimento seguiu Pablo Navarro para dentro da casa.
O clima na sala era pesado, mas também, não era de se estranhar — a família Navarro acabara de perder seu pilar, Pablo Navarro.

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