— Da última vez, te fiz uma pergunta e você ainda não me respondeu.
Jéssica Nascimento sabia exatamente a que questão Guilherme Serra se referia.
Ela não compreendia como Guilherme Serra de repente se recordara da Srta. Navarro do centro de reabilitação juvenil.
Mas, e daí se ele lembrara?
— Agora sou eu quem pergunta... Por que você mandou alguém me seguir e me vigiar?
As palavras de Jéssica Nascimento eram cortantes —
seguir e vigiar.
Os traços finos do rosto de Guilherme Serra pareciam ter se desfeito numa expressão de angústia.
Ele franziu a testa, sentindo um aperto no peito que lhe causava uma tontura, como se lhe faltasse o ar, junto a uma ansiedade crescente.
— Por que eu mandar alguém te acompanhar seria vigiar ou perseguir? — a voz de Guilherme Serra saiu rouca.
— Não poderia ser para te proteger?
Jéssica Nascimento ergueu os olhos.
— Por que você quer me proteger?
— ...
Guilherme Serra inspirou fundo.
— Houve uma morte no centro de reabilitação juvenil.
— O quê?
— Foi o chefe do departamento de gestão da informação. Alguém o matou a tiros, usou um silenciador, destruiu as câmeras, não deixou pista alguma... O objetivo, provavelmente, eram os arquivos armazenados no sistema... Como o seu.
Jéssica Nascimento ficou surpresa.
— Mas não seria necessário matar, só para conseguir os arquivos eletrônicos...
Enquanto dizia isso, Jéssica Nascimento teve um estalo.
Se não era necessário matar, mas mesmo assim o fizeram, isso significava que o responsável tinha extrema confiança em suas habilidades — e que para ele matar era algo tão comum quanto tomar um café.
Na verdade, talvez fosse até um passatempo.
Jéssica Nascimento sentiu um calafrio percorrer o corpo.
Na sua mente, o rosto do falso Vinícius Gomes se sobrepôs à identidade do assassino de aluguel, o joker.
— Você acha que o joker quer me matar?
— Agora finalmente acredita que eu estava tentando te proteger?

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