Guilherme Serra mantinha a cabeça baixa, folheando documentos, e comentou com indiferença:
— Melissa não é como Jéssica Nascimento, não vai causar confusão sem motivo.
Do lado de fora do escritório, Jéssica Nascimento, abraçada a uma pasta, ficou paralisada como uma estátua.
Agora ela fazia parte do Grupo Serra.
O cargo: secretária do diretor geral, auxiliando Carlos, o assistente especial.
Essa fora a condição imposta por Guilherme Serra na delegacia na noite anterior.
Se Jéssica Nascimento deixasse o emprego na FY e aceitasse trabalhar no Grupo Serra, ele concordaria com o acordo e não permitiria que Lívia Gomes permanecesse detida.
Lívia Gomes, inicialmente, preferia ser presa a permitir que Jéssica Nascimento aceitasse a proposta de Guilherme Serra.
Mas Jéssica Nascimento aceitou de pronto.
Comparado ao futuro de Lívia Gomes, aquele pedido não era nada.
Nem ela mesma entendia por que se escondia do lado de fora do escritório, escutando a conversa de Guilherme Serra às escondidas.
Mas não conseguia evitar.
No fundo, ela não compreendia por que Guilherme Serra fazia tanta questão de tê-la no Grupo Serra.
Melissa Garcia também estava lá.
A esposa e a amante, trabalhando sob o mesmo teto—seria algum tipo de brincadeira perversa?
Jéssica Nascimento soltou um sorriso amargo.
Nesse momento, a voz de Guilherme Serra voltou a sair do escritório.
— Deixando ela sob minha supervisão, vai acabar percebendo como é fácil ser dona de casa.
O coração de Jéssica Nascimento gelou.
Então... era por isso...
As fantasias, já tão frágeis, se dissiparam em decepção. Ela suspirou.
Já devia ter compreendido.
Guilherme Serra nunca quisera seu talento; não era por isso que insistia em tê-la no Grupo Serra.
No escritório, Patricio Ramos acompanhou a fala de Guilherme Serra, destilando desprezo, direto e indireto, sobre o papel de dona de casa.

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