O olhar de Jéssica Nascimento era direto, suas palavras de recusa igualmente francas, e a dor que ela causava em Guilherme Serra chegava sem rodeios.
Guilherme Serra baixou os olhos e sorriu, um sorriso amargo.
— Agora estou de mãos vazias, tenho tempo de sobra. Deixe-me fazer o que quero.
— Então faça como quiser! — suspirou Jéssica Nascimento.
O quarto de hóspedes ficou em completo silêncio, interrompido apenas pelo barulho de Guilherme Serra mastigando biscoitos.
— O Grupo Serra já está fora de perigo, não é? — ele perguntou.
— Sim, graças à ajuda do Cesar Batista.
Os dedos de Guilherme Serra se apertaram, e o biscoito se desfez em farelos.
— Não é só você que pode salvar o Grupo Serra... No fim das contas, ouvir o Cesar Batista me trouxe também um bom resultado.
Jéssica Nascimento dizia isso enquanto fixava o olhar no perfil de Guilherme Serra.
Aquele rosto marcado, como se coberto por fuligem, parecia mais sombrio do que nunca.
Ela falava de caso pensado.
Queria que Guilherme Serra enxergasse a realidade —
Reconquistá-la era impossível.
— Então, para retribuí-lo, você foi se hospedar com ele, sozinhos, num hotel em outro país?
Os olhos de Guilherme Serra voltaram a mostrar aquela frieza inabalável, onde ardia um ciúme explícito.
— Foram dois quartos separados, está bem? — respondeu ela, irritada.
— ...
— E além disso, Cesar Batista nunca me pediu nada em troca por tudo que fez.
— Você fala como se eu exigisse gratidão — retrucou Guilherme Serra, magoado.
— Por acaso eu lhe devo alguma coisa? — rebateu Jéssica Nascimento, de repente, pegando-o de surpresa.
Os dois se olharam nos olhos. Guilherme Serra teve a impressão de ver as pálpebras de Jéssica Nascimento mais avermelhadas do que antes.
— Tudo o que você fez... não seria apenas uma forma de compensação?

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