Assim que Guilherme Serra terminou sua fala serena, Cesar Batista tirou uma caneta do bolso do paletó e assinou o documento que Guilherme lhe entregara.
— Lembre-se... foi você quem me pediu o favor. Eu sou apenas um consultor, recebi pelo serviço, e estamos quites. É só negócio.
Guilherme Serra guardou os papéis, levantou-se e saiu do reservado.
Quando Cesar Batista deixou o Sakura Verde, o Koenigsegg cinza-escuro já havia sumido sem deixar rastros.
País C.
Vânia Navarro marcou o encontro com Januario Santos em um hotel.
— Dr. Santos, sente-se, não precisa ficar tão tenso.
Januario Santos era o advogado-chefe contratado pelo Grupo Navarro e, ao mesmo tempo, o advogado particular em quem Pablo Navarro mais confiava.
Vestia um terno impecavelmente passado, exalando o profissionalismo de um verdadeiro expoente do direito, com uma expressão séria e reservada.
Mesmo assim, naquele momento, diante de Vânia Navarro, Januario parecia desconcertado, quase sem saber o que fazer com as mãos.
A suíte onde estavam era luxuosa em cada detalhe.
Vânia Navarro estava esparramada de maneira confortável no divã, segurando uma taça de champanhe.
Sua aparência contrastava radicalmente com a de Januario Santos.
Se Januario parecia querer se embrulhar como uma pamonha com seu terno e camisa, Vânia estava à beira do despudor.
Ela trajava uma camisola de seda vermelha, com recortes reveladores.
O vestido era curto, mal cobrindo a raiz das coxas.
O decote profundo deixava quase todo o colo à mostra.
O tecido de renda translúcida era mais provocante do que estar sem nada.
Januario Santos engoliu em seco várias vezes.
Embora Vânia o tivesse convidado a sentar, ele simplesmente não conseguia fazê-lo.
O rosto de Januario alternava tons de vermelho e branco sob o olhar de Vânia, que sorria com um brilho de malícia. Ela se ergueu, levantou a mão delicada e puxou a gravata dele com firmeza.
— Dr. Santos, sabe por que eu o chamei aqui hoje?
Vânia exalava charme e sensualidade, mas seus olhos e sua voz deixavam transparecer uma ambição nua e uma pitada de ameaça.

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