Guilherme Serra não respondeu à pergunta de Jéssica Nascimento. Seus lábios frios não só não se abriram, como se fecharam ainda mais, formando uma linha dura e afiada.
Ele avançou, passo a passo, aproximando-se de Jéssica Nascimento.
A distância entre os dois diminuía a cada segundo, e o ar parecia se comprimir ao redor deles.
Jéssica Nascimento não tinha mais para onde recuar. Atrás dela, só havia a vidraça do chão ao teto.
Quando suas costas tocaram o vidro gelado, Guilherme Serra apoiou as duas mãos nos dois lados de sua cabeça.
— Por que você se recusa a trazer um investidor anjo?
A voz de Guilherme Serra soou fria como sempre, mas desta vez não era possível ignorar a emoção contida nela.
Jéssica Nascimento percebeu que Guilherme Serra estava irritado.
— Eu tenho outros planos...
— Foi o Cesar Batista que te mandou fazer isso?
Os olhos dos dois se encontraram, e o olhar escuro como a noite de Guilherme Serra fez Jéssica Nascimento sentir que estava sendo completamente desvendada.
Sua voz carregava uma acusação evidente.
Jéssica Nascimento permaneceu em silêncio.
O silêncio era uma confirmação.
— Num momento tão crítico para a empresa, ele age pelo coração, e você também vai agir assim?
A cobrança de Guilherme Serra incomodou Jéssica Nascimento.
— O Grupo Serra já não é mais sua empresa, não precisa da sua interferência.
Jéssica Nascimento tentou empurrar Guilherme Serra, mas ele agarrou seu pulso, pressionando-o firmemente contra o vidro.
— Jéssica Nascimento, você acha mesmo que o plano do Cesar Batista é suficiente para resolver a crise atual?
Guilherme Serra reconhecia que Jéssica Nascimento havia feito um bom trabalho, e que Cesar Batista também se esforçara ao máximo.
Se fosse apenas um escândalo inesperado, as medidas de comunicação de crise, o suporte jurídico e as compensações já seriam suficientes para reerguer o Grupo Serra.

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