Aquela hora, o parque estava praticamente vazio.
Vinícius Gomes levou Lívia Gomes até a ponte.
Lívia Gomes apoiou as duas mãos no parapeito, enquanto Vinícius Gomes se encostou, de costas, na ponte.
A água do lago brilhava sob a luz tênue, mas ao redor a escuridão era densa.
Os dois ficaram em silêncio por um tempo. Até que, depois de um instante, Lívia Gomes perguntou primeiro:
— Hoje... eu recebi um buquê de girassóis. Foi... você que me mandou?
A voz de Lívia Gomes saiu hesitante, cheia de expectativa, mas também com medo do que poderia esperar.
— Sim, fui eu.
Vinícius Gomes respondeu sem rodeios.
O coração de Lívia Gomes disparou. Ela se virou para encará-lo.
— Por quê? Por que me mandou flores? Você não disse que não me amava mais? Você não terminou comigo?
Enquanto falava, Lívia Gomes sentiu a vontade de chorar outra vez.
Achava-se especialmente fraca.
Era só um término, precisava mesmo chorar tanto assim?
Sempre acreditara que detestava mulheres frágeis e obcecadas por amor, mas ao se apaixonar por Vinícius Gomes, acabou tornando-se justamente aquilo que mais detestava.
Quanto mais pensava, mais sufocada se sentia.
Mas não conseguia se controlar.
Não dava para impedir o coração de doer.
E menos ainda conseguia evitar se sentir atraída por Vinícius Gomes.
Vinícius Gomes olhou por um momento para o rosto de Lívia Gomes, prestes a se desfazer em lágrimas, e então, cuidadosamente, segurou seu rosto entre as mãos, como se segurasse algo muito frágil.
Lívia Gomes foi obrigada a levantar o olhar, encontrando os olhos de Vinícius Gomes.
Sob o céu noturno, os olhos de Vinícius Gomes brilhavam mais que as estrelas, cheios de ternura e profundidade.
Lívia Gomes sentiu o próprio coração bater com força, como se estivesse prestes a saltar do peito.
Antes que pudesse reagir, os lábios de Vinícius Gomes tocaram os dela.
Lívia Gomes arregalou os olhos.

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