Os olhos profundos de Guilherme Serra revelaram uma leve ondulação.
Ele também se lembrou.
Logo após o casamento, Jéssica Nascimento costumava perguntar se as comidas que preparava estavam do seu agrado.
Naquele tempo, a delicadeza de Jéssica Nascimento e o brilho de expectativa em seu olhar só agora voltavam nítidos à memória dele.
Naquela época, ele simplesmente não percebeu.
Na verdade, nunca se importou.
Em diversas vezes, suas respostas eram feitas sem pensar.
E sempre que ele dizia “mais ou menos”, o brilho nos olhos de Jéssica Nascimento parecia se despedaçar de imediato e sumia por completo.
Depois disso, quando repetia o mesmo prato, ela sempre fazia algum ajuste no sabor.
Jéssica Nascimento se esforçava do seu jeito, tentando ser, aos olhos dele, uma esposa à altura.
Apesar de ser Jéssica Nascimento quem tomava o café naquele momento, era Guilherme Serra que sentia a boca cheia de amargor.
O gosto amargo estava na boca, mas ainda mais no coração.
Mas, naquela época, quem sentia o amargor era Jéssica Nascimento; ele não tinha direito de reclamar.
Nem antes, nem agora.
— Se não estiver bom, não precisa tomar. Posso preparar outro para você.
— Não precisa.
Quando Guilherme Serra tentou pegar a xícara de café de Jéssica Nascimento, a mão dela se estendeu ao mesmo tempo.
Os dedos dos dois se tocaram de leve.
Naquele instante, Guilherme Serra sentiu como se uma corrente elétrica tivesse percorrido seus dedos.
A sensação formigante se espalhou até o peito.
Ele levantou o olhar e encarou Jéssica Nascimento.
Jéssica Nascimento não desviou o olhar, mas seus dedos se recolheram discretamente.
Os olhos de Guilherme Serra eram realmente lindos.
Eram olhos que, sem sorrir e sem qualquer insinuação, poderiam fascinar multidões.
É difícil não se comover diante de um olhar assim—

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