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Amor Tarde Demais romance Capítulo 548

— Chefe, essa é a Birkin verde-limão, edição limitada da Hermès deste outono! Dizem que só existem cinco no mundo, nem quem tem dinheiro consegue comprar! Quem foi que teve essa generosidade toda?

Ana estava tão invejosa que quase babou.

Apesar de o pacote não trazer remetente, Jéssica Nascimento já tinha suspeitas.

Só havia uma pessoa que compraria uma bolsa dessas, caríssima e exclusiva, para ela.

— Chefe, hoje é seu aniversário?

Ana perguntou, cautelosa.

Se fosse, teria que gastar dinheiro com presente de novo.

— Não.

Jéssica Nascimento balançou a cabeça, vendo Ana suspirar aliviada.

— Aliás, Ana, o mês já está acabando. Sobre seu bônus de desempenho deste mês... O que acha de eu trocar por uma recompensa em produto pra você?

Ana: ?!?!?!?

Parque de Inovação Cultural.

O Bentley azul-imperial estava há tempos estacionado ali. Dali dava para ver perfeitamente Jéssica Nascimento saindo do prédio de escritórios.

Guilherme Serra estava no banco do motorista, com o vidro abaixado.

Ele fumava.

Vários tocos de cigarro já estavam no chão, todos dele.

A mão com o cigarro se estendia para fora da janela, a fumaça subia e embaçava os traços marcantes e elegantes de Guilherme Serra.

Normalmente, Guilherme Serra não fumava tanto.

Na maioria das vezes, ele recorria ao cigarro quando estava inquieto.

Mas, naquele momento, nem ele sabia o que o incomodava.

No fundo, sentia uma mistura estranha de expectativa e ansiedade.

O tempo passava devagar.

Quando Guilherme Serra acendeu o décimo-segundo cigarro, começaram a sair funcionários do prédio após o expediente.

Mas não era um sonho: a bolsa da Hermès era mesmo verdadeira. Ana só conseguia pensar que aquilo era um presente caído do céu.

Sem querer, sentiu um calafrio e seguiu o olhar penetrante que vinha em sua direção.

Guilherme Serra, dentro do Bentley azul-imperial, fumava com um olhar que parecia capaz de devorá-la viva.

Ana apertou a bolsa Hermès contra o peito e apressou o passo, saindo do campo de visão de Guilherme Serra.

Ana não era das mais espertas, mas também não era cega.

Aquela bolsa exclusiva era um presente de Guilherme Serra tentando reconquistar Jéssica Nascimento.

Ana temia que, irritado, Guilherme Serra pedisse a bolsa de volta.

E se pegassem de volta, e Jéssica Nascimento não cobrisse o bônus dela com outro presente...

Quanto mais pensava, mais aflita ficava. Decidiu tirar o casaco e enrolar a bolsa Hermès, escondendo-a.

No Bentley azul-imperial, Guilherme Serra apagou o cigarro inacabado na palma da mão.

A dor na mão não era nada comparada à dor no peito. Ele inspirou fundo, ligou o carro e passou a seguir o BMW branco que saía à frente.

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