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Amor Tarde Demais romance Capítulo 524

Mas, sempre que o interlocutor era ele, Jéssica Nascimento sentia-se incomodada.

Guilherme Serra, de repente, percebeu: será que, nesses três anos de casamento, ele também vinha tratando Jéssica Nascimento dessa mesma forma?

Cada vez mais impaciente...

Cada vez menos atento...

Guilherme Serra sentiu que a leveza recém-adquirida em sua cabeça começava a dar lugar a uma dor latejante.

O quarto estava absolutamente silencioso.

A atmosfera entre Jéssica Nascimento e Guilherme Serra tornava-se cada vez mais constrangedora.

Guilherme Serra percebeu claramente: Jéssica Nascimento não queria estar ali, nem por um segundo a mais.

Apesar de ela não ter dito uma única palavra, o jeito como se portava de cima a baixo transmitia esse sinal a Guilherme Serra.

Ele não compreendia: teria ele ficado menos atraente?

Ou teria perdido o charme?

Por que a atitude de Jéssica Nascimento mudara tanto em relação a ele?

A Jéssica Nascimento de antes, tinha olhos e coração cheios dele.

Agora, a Jéssica Nascimento parecia mal poder esperar para se afastar o máximo possível dele.

— Poderia... me trazer um copo d’água?

Guilherme Serra tomou a iniciativa de pedir.

Lembrou-se de que, quando adoecia, antigamente, Jéssica Nascimento nunca esperava que ele pedisse: já deixava preparado um copo d’água na temperatura certa, além de frutas frescas cortadas.

Guilherme Serra viu Jéssica Nascimento levantar-se, servir um copo d’água morna no bebedouro e entregar-lhe com discrição.

Embora não fosse água fervida e resfriada, era, ainda assim, um copo d’água morna.

A temperatura da água atravessou o copo, aquecendo-lhe os dedos, e dali espalhou-se por todo o corpo.

Antes mesmo de beber, Guilherme Serra já sentia o calor lhe confortando por dentro.

Jéssica Nascimento observou Guilherme Serra beber um gole da água que ela acabara de servir.

Era apenas um copo comum, água morna feita ao misturar quente e fria do bebedouro; mesmo assim, ela percebeu que Guilherme Serra bebia como se fosse um vinho raro, saboreando cada gole com um deleite quase hipnotizante.

Se Jéssica Nascimento não estivesse enganada, aquele bebedouro era o mesmo que haviam comprado logo após o casamento; se Guilherme Serra não tivesse se lembrado de trocar o filtro, então aquela água...

Jéssica pegou uma garrafa de água mineral e a tomou em silêncio.

Ela tinha pensado em perguntar se ele estava com fome, se queria que ela pedisse algo para comer.

— De vez em quando... queria que você provasse meu tempero.

— De vez em quando?

Jéssica Nascimento soltou uma risada fria.

A escolha de palavras de Guilherme Serra soava absurda.

Em três anos de casamento, ela nunca sequer experimentara um prato feito por ele.

— Mesmo que você cozinhe, não pense que vamos recomeçar.

Jéssica Nascimento falou com frieza, sua voz era firme, sem hesitação.

O entusiasmo de Guilherme Serra, tão animado até então, foi como água fria jogada sobre ele.

Mesmo assim, ele não desanimou.

— Eu não faço tudo esperando alguma coisa em troca... Só quero cozinhar para você quando estiver com fome, só isso...

Guilherme Serra falou com tranquilidade e, em seguida, virou-se rumo à cozinha.

Jéssica Nascimento viu claramente o corpo alto de Guilherme Serra vacilar, quase sem força para se manter de pé.

Durante os três anos de casamento, ela também havia ido à cozinha doente para cozinhar para Guilherme Serra mais de uma vez — mas ele nunca notara.

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