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Amor Tarde Demais romance Capítulo 521

— Não... vá embora...

— Por quê? Por que... não quer nem olhar para mim...?

— Não me deixe sozinho...

Em meio à névoa dos sonhos, Guilherme Serra viu uma criança de uns três ou quatro anos.

Era um menininho.

No entanto, ele não conseguia ver o rosto da criança nitidamente.

O garoto morava numa casa enorme.

Mas, além dele, não havia mais ninguém ali dentro.

A casa, vazia e silenciosa, lembrava uma mansão assombrada.

Quanto tempo fazia que ele não via o pai?

Ele não sabia.

E quanto tempo fazia que não via a mãe?

Também não sabia.

A única pessoa que conseguia ver era a empregada contratada pelos pais.

Ele nunca passava fome — a empregada preparava suas refeições.

Mas, nos dias de tempestade, não podia se aconchegar nos braços do pai ou da mãe.

Sentindo-se desamparado, ele estendia suas pequenas mãos à empregada, numa súplica silenciosa.

Desejava que ela o pegasse no colo, lhe desse um beijo, o confortasse.

— Senhorzinho, fique no quarto que assim não vai ter medo da chuva.

A empregada pegava a mão do menino, levava-o até o quarto, sentava-o na cama, verificava as janelas e fechava bem a porta.

Por melhor que fosse o isolamento da casa, o trovão ainda retumbava nos ouvidos do menino, que se enfiava debaixo das cobertas, tremendo de medo.

...

Hoje era o aniversário do garoto.

Normalmente, a empregada preparava três pratos, mas hoje fez cinco.

Não havia bolo.

Nem velas.

Mesmo que a família pudesse comprar.

Ninguém havia preparado nada para ele.

Por isso, também não havia desejo a ser feito.

O menino sabia: mesmo se pedisse, seu desejo não se realizaria.

— Senhorzinho, coma devagar, viu?

A grande mesa de jantar estava cheia de pratos, e o pequeno comia ali — sozinho.

Enquanto comia em silêncio, lágrimas escorriam por seu rosto.

Cada prato parecia ter um leve gosto amargo.

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