Num instante, Melissa Garcia arregalou os olhos, o terror em seu olhar sendo atravessado pelo raio que cortava o céu do lado de fora da janela.
Dessa vez, Guilherme Serra finalmente via, no rosto de Melissa Garcia, uma culpa intensa e inegável.
Talvez Melissa Garcia tivesse interpretado seu papel de Srta. Navarro por tempo demais, envolvida demais no papel, ao ponto de acreditar, de fato, que era ela mesma a Srta. Navarro.
Por isso, as palavras que havia gritado há pouco carregavam tanto ímpeto, como se, de verdade, ele lhe devesse algo.
Ou talvez fosse Jéssica Nascimento quem lhe devia.
No entanto...
O olhar de Guilherme Serra sobre Melissa Garcia era como duas mãos invisíveis, prontas para despedaçá-la.
Carlos lhe contara: segundo as investigações, Melissa Garcia jamais fora internada na unidade de menores infratores.
Jamais.
Ela não era sua Srta. Navarro.
Nunca tinha sido.
— A ajuda que te dei... o carinho que te concedi... o respeito... tudo isso era para a Srta. Navarro...
As palavras de Guilherme Serra soaram frias e pausadas, penetrando nos ouvidos de Melissa Garcia e fazendo seu corpo estremecer involuntariamente.
— Sem a identidade da Srta. Navarro... você não é nada para mim.
Depois de dizer isso com indiferença, Guilherme Serra virou-se e deixou o quarto do hospital.
Melissa Garcia caiu no chão do quarto e chorou aos prantos, tomada pelo desespero.
No final do corredor, Carlos esperava Guilherme Serra, franzindo a testa.
Logo, Guilherme Serra saiu, e o sorriso que trazia no rosto era daqueles que gelava até a alma.
— Já entrou em contato com o pessoal dos Falcões do Norte?
— ...Já, sim.
— Ótimo.
Guilherme Serra não era de falar muito, mas Carlos parecia compreender tudo o que estava nas entrelinhas.
A noite era escura como breu, e a tempestade lá fora parecia o choro convulsivo dos céus.
Carlos pegou o carro e, seguindo as instruções de Guilherme Serra, dirigiu até a unidade de menores infratores da Cidade A.
Sob a tempestade, o lugar parecia ainda mais assustador do que uma penitenciária.

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