Essas palavras soaram tão ridículas para Jéssica Nascimento que ela mesma quase riu ao dizê-las.
Guilherme Serra... Em que momento ele havia se tornado alguém tão interesseiro, egoísta e calculista?
Ou será que, desde o começo, ela o havia enxergado errado?
Seria apenas o efeito do “primeiro amor” e do fascínio de uma paixão inesperada?
Jéssica Nascimento não sabia responder.
Sentia que já não conhecia mais Guilherme Serra.
E agora, também não queria mais conhecê-lo.
— Eu, Jéssica Nascimento, não sou reserva sua, Guilherme Serra... Reconciliação é coisa de romance barato.
A voz de Jéssica Nascimento, ainda mais fria do que a chuva que escorria por seus ouvidos, cortou o silêncio.
Reconciliação é coisa de romance barato—
Essa mesma frase Cesar Batista já havia dito exatamente assim para ele.
Guilherme Serra cerrou os punhos, assistindo impotente Jéssica Nascimento se afastar e entrar em um BMW branco, modelo Série 3.
A vaga ficou livre por pouco tempo, logo ocupada por outro carro.
Dessa vez, um esportivo vermelho, uma Ferrari reluzente.
Mesmo com a tempestade, a cor chamativa do carro se destacava.
Ao ver o veículo, Guilherme Serra franziu o cenho.
Quando o motorista desceu, sua expressão ficou ainda mais fechada e o olhar, ameaçador.
José Paz, segurando um guarda-chuva, caminhou até Guilherme Serra e parou bem diante dele.
— Veio aqui para rir da minha cara?
Guilherme Serra perguntou com frieza.
— Vim, sim.
José Paz respondeu sem vacilar.
Na verdade, ele estava ali para parabenizar Jéssica Nascimento.
Parabenizá-la por se tornar a maior acionista do Grupo Serra.
Só não esperava, ao chegar em frente ao prédio da empresa de Jéssica Nascimento, presenciar uma discussão acalorada entre ela e Guilherme Serra, sob a tempestade.

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