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Amor Tarde Demais romance Capítulo 516

Essas palavras soaram tão ridículas para Jéssica Nascimento que ela mesma quase riu ao dizê-las.

Guilherme Serra... Em que momento ele havia se tornado alguém tão interesseiro, egoísta e calculista?

Ou será que, desde o começo, ela o havia enxergado errado?

Seria apenas o efeito do “primeiro amor” e do fascínio de uma paixão inesperada?

Jéssica Nascimento não sabia responder.

Sentia que já não conhecia mais Guilherme Serra.

E agora, também não queria mais conhecê-lo.

— Eu, Jéssica Nascimento, não sou reserva sua, Guilherme Serra... Reconciliação é coisa de romance barato.

A voz de Jéssica Nascimento, ainda mais fria do que a chuva que escorria por seus ouvidos, cortou o silêncio.

Reconciliação é coisa de romance barato—

Essa mesma frase Cesar Batista já havia dito exatamente assim para ele.

Guilherme Serra cerrou os punhos, assistindo impotente Jéssica Nascimento se afastar e entrar em um BMW branco, modelo Série 3.

A vaga ficou livre por pouco tempo, logo ocupada por outro carro.

Dessa vez, um esportivo vermelho, uma Ferrari reluzente.

Mesmo com a tempestade, a cor chamativa do carro se destacava.

Ao ver o veículo, Guilherme Serra franziu o cenho.

Quando o motorista desceu, sua expressão ficou ainda mais fechada e o olhar, ameaçador.

José Paz, segurando um guarda-chuva, caminhou até Guilherme Serra e parou bem diante dele.

— Veio aqui para rir da minha cara?

Guilherme Serra perguntou com frieza.

— Vim, sim.

José Paz respondeu sem vacilar.

Na verdade, ele estava ali para parabenizar Jéssica Nascimento.

Parabenizá-la por se tornar a maior acionista do Grupo Serra.

Só não esperava, ao chegar em frente ao prédio da empresa de Jéssica Nascimento, presenciar uma discussão acalorada entre ela e Guilherme Serra, sob a tempestade.

Guilherme Serra apertou os dentes com força.

— José Paz, se não fosse por você, eu nunca teria tratado Jéssica Nascimento daquela maneira. Ela também não teria chegado a me odiar tanto...

José Paz deu de ombros e soltou um riso irônico.

— Guilherme Serra, se você não quer admitir que é um canalha, tudo bem. Mas jogar a culpa em mim? Sinceramente, não entendo o que a Jéssica Nascimento viu em você. Ela ainda teve a cara de pau de dizer que eu não chego aos seus pés... Se não fosse por mim, naquela vez, lá no país M, Jéssica Nascimento teria morrido no cais abandonado!

— O que você disse?

Guilherme Serra avançou um passo.

— Que história é essa de cais abandonado? Me explica direito, por que Jéssica Nascimento estava lá?

— Como eu vou saber?

Até hoje, aquela história era uma incógnita para José Paz.

De qualquer forma, ele tinha salvado a vida de Jéssica Nascimento.

— Alguém me enviou umas fotos do celular da Jéssica Nascimento, o fundo era um cais abandonado. Fiquei com medo de acontecer algo com ela, fui até lá, e a encontrei desmaiada no chão, encharcada, parecia ter saído do mar... E ela estava machucada, os pulsos todos arranhados, parecia até que tinham amarrado ela com uma corda...

Enquanto José Paz contava, a imagem do vídeo que Diego Carvalho enviara para Guilherme Serra, na época do sequestro de Melissa Garcia, surgia nitidamente em sua mente.

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