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Amor Tarde Demais romance Capítulo 469

A chuva torrencial, que ameaçava cair durante toda a manhã, finalmente desabou.

Quando o Bentley azul imperial de Guilherme Serra parou em frente ao portão do Parque de Criação Cultural, a chuva já caía com força.

Guilherme Serra estacionou o carro, desceu e abriu o guarda-chuva.

Quanto mais forte era o barulho da chuva, mais silencioso parecia o Parque de Criação Cultural.

Era ali que Jéssica Nascimento trabalhava.

Ele poderia ter subido diretamente para procurar por Jéssica Nascimento.

Mas não o fez.

Guilherme Serra ficou parado, solitário, em meio à chuva. Mesmo com o guarda-chuva, seu terno já estava molhado.

Ele mesmo não sabia ao certo por que tinha ido até ali.

Ainda que soubesse, jamais teria coragem de confessar a Jéssica Nascimento que desejava passar aquele aniversário ao lado dela.

Guilherme Serra apenas permaneceu imóvel sob a tempestade, sustentando o guarda-chuva, enquanto relâmpagos cortavam o céu sobre sua cabeça.

O canteiro de obras estava vazio; ninguém trabalharia em um tempo desses.

A entrada da escada de cimento já estava completamente encoberta por três velhos contêineres empilhados, impedindo qualquer passagem de luz.

À primeira vista, ninguém imaginaria que atrás daqueles contêineres havia uma escada que levava ao subsolo.

Tampouco alguém saberia que, no fim da escada, havia uma sala de distribuição elétrica abandonada.

Muito menos que ali dentro havia uma pessoa presa.

No velho sobrado da Rua da Pedreira.

Luna Ferreira estava largada no sofá; o cheiro de álcool impregnava o ambiente.

Desde a falência da família Ferreira, ela havia se mudado para ali. Agora, aquele era seu lar.

Luna Ferreira bebia sozinha, alternando entre expressões de tensão, excitação e dor em seu rosto.

Sentia-se tensa por ter cometido um assassinato, embora a vítima ainda não devesse estar morta.

Sentia-se excitada, também, pelo mesmo motivo: tinha tentado matar alguém. Ainda que a pessoa talvez ainda respirasse, não demoraria muito para morrer.

— Num porão frio, depois de horas trancada lá embaixo, o coração começa a falhar, o corpo esfria, desidrata, a pessoa desmaia… Depois é só manter a sala de distribuição escondida atrás dos contêineres. Quando alguém finalmente achar, Jéssica Nascimento já vai estar apodrecendo — Luna recordava as palavras de Melissa Garcia, e em sua mente se formava a imagem de Jéssica Nascimento agonizando, o rosto contorcido de dor.

— Jéssica Nascimento, morra! Morra pra mim, hahahahahahaha!

De repente, Luna Ferreira começou a rir descontroladamente.

Enquanto ria, lágrimas começaram a escorrer, como contas de um colar rompido.

Luna Ferreira não chorava por Jéssica Nascimento, prestes a morrer.

Chorava por si mesma.

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