Vânia Navarro passou a mão pelos longos cabelos dourados, encarando Guilherme Serra com um olhar carregado de competitividade.
Guilherme Serra permaneceu em silêncio.
Se tivesse que comparar com a Melissa Garcia de agora, Vânia Navarro ainda tocava melhor.
Pelo menos em termos de técnica ao piano, Vânia Navarro já havia alcançado um nível impressionante.
Afinal, Mayla Garcia tinha também o título de pianista renomada. Mesmo que Vânia Navarro fosse adotada há pouco tempo, com o devido incentivo, era possível que um dia ela atingisse o mesmo patamar de Mayla Garcia.
Porém...
Na mente de Guilherme Serra, soou uma melodia.
Ainda era um noturno de Chopin.
Mas não era a interpretação de Vânia Navarro.
Era Melissa Garcia, anos atrás, quando ainda estava no centro de reabilitação juvenil.
Naquele lugar, não havia piano, apenas um teclado eletrônico de segunda mão, usado para tentar acalmar o espírito inquieto daqueles jovens problemáticos.
Foi ali que Guilherme Serra ouviu, pela primeira vez na vida, uma música tão bela.
Ficou gravada em sua memória.
Guilherme Serra, sem perceber, fechou os olhos.
Foi graças àquela melodia que ele encontrou sua Srta. Navarro.
Talvez a aparência das pessoas mudasse, mas as melodias que elas tocavam...
Essas não mudavam.
Naquele mesmo momento, Jéssica Nascimento caminhava em direção ao Bossa Bean e passou por uma loja de instrumentos musicais.
Na vitrine, chamava atenção um piano de cauda preto.
Assim que viu o instrumento, Jéssica Nascimento não conseguiu dar mais um passo.
Há quanto tempo ela não tocava piano?
Se não contasse o teclado elétrico, desde o incidente com Cesar Batista, ela não encostara mais em um piano.
Seus dedos começaram a formigar, ansiosos.
O motivo pelo qual evitava o piano era um sentimento profundo de culpa e repulsa por si mesma, devido a Cesar Batista.
Mas agora...
Um sorriso iluminou o rosto de Jéssica Nascimento. Ela pegou o celular, conferiu as horas e viu que ainda tinha tempo. Então, entrou na loja.
Jéssica Nascimento costumava ir ao trabalho vestida de maneira formal: terno feminino preto, o que não combinava em nada com o universo artístico.

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