As pálpebras de Guilherme Serra se ergueram levemente.
No fundo, ele não deveria se surpreender com aquele resultado.
Desde o dia em que, no país M, mostrara o documento de divórcio a Jéssica Nascimento, ela parecia tê-lo arrancado de sua vida sem hesitação.
Naquela mesma noite, com o papel em mãos, Jéssica Nascimento saiu do hotel e foi se encontrar com José Paz.
E agora...
Ao lado de Jéssica Nascimento, estava Cesar Batista.
Cesar Batista percebeu o quanto Guilherme Serra apertava os punhos, as mãos firmes ao lado do corpo.
— Sr. Serra, ao visitar um paciente, a vontade dele deve ser prioridade. Por favor, retire-se.
Guilherme Serra não disse mais nada, virou-se e saiu.
No auge do inverno, ele voltou para a rua suando.
O resultado foi apenas uma porta fechada na cara.
Pela primeira vez, Guilherme Serra se sentiu um verdadeiro idiota.
No quarto, Jéssica Nascimento repousava na cama. Bastava um olhar distraído para avistar a paisagem do lado de fora —
Guilherme Serra caminhava a passos largos rumo ao seu Bentley azul imperial.
Cesar Batista entrou e percebeu que Jéssica Nascimento acabara de desviar o olhar da janela.
— Maçã, morango, manga, uva... De qual você quer?
— Hm... Melhor a maçã!
Cesar Batista pegou uma maçã lavada e se preparava para descascá-la.
— Deixa que eu mesma faço!
Jéssica Nascimento estendeu a mão para ele.
— Sua mão está toda enfaixada!
Com o lembrete, Jéssica Nascimento olhou para a própria mão, enrolada como um pamonha, e sorriu amargamente:
— É verdade, agora sou oficialmente uma paciente.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor Tarde Demais