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Amor Tarde Demais romance Capítulo 375

Depois de ter impressionado a todos na festa exibindo a coroa que desenhara para a rainha do país Y, Jéssica Nascimento começou a receber pedidos particulares de joias sob medida.

Apesar de nem mesmo ter um escritório próprio, muitos figurões e personalidades presentes no evento se encantaram por sua habilidade, entrando em contato privadamente para encomendar suas peças.

De qualquer forma, aquilo era uma notícia excelente. O desejo de reabrir sua própria empresa reacendeu em Jéssica Nascimento.

Era impossível contar novamente com os antigos investidores; afinal, eles haviam sido enviados secretamente por José Paz, a quem devia favores.

Na visão de Jéssica, quanto menos se envolvesse com José Paz, melhor seria para ele.

Mesmo somando os prêmios das corridas de carro que disputava, o capital inicial ainda era insuficiente. Por isso, Jéssica decidiu avançar com cautela, passo a passo, aceitando encomendas pessoais até juntar o dinheiro necessário.

Por ora, continuava usando o ateliê da FY. Como uma das principais marcas de joias do país, a empresa contava com os melhores equipamentos disponíveis, e era, entre todas as opções acessíveis, a mais adequada para ela.

Jéssica chegou a conversar com Pedro Teixeira sobre o aluguel do espaço, mas ele recusou sem hesitar.

— Falar de dinheiro só estraga as relações.

Jéssica riu, amarga.

No mundo de hoje, não falar de dinheiro é que arruína as relações.

Passou a manhã inteira mergulhada no trabalho no ateliê da FY, até que seus olhos começaram a arder. Nesse momento, alguém bateu à porta.

— Pode entrar!

Jéssica respondeu distraída, mas ao levantar o olhar, viu duas figuras na entrada —

Cesar Batista e Pedro Teixeira.

Ela ficou surpresa, sem entender o que Cesar Batista fazia ali.

Cesar vestia um terno branco ainda mais elegante que o da festa. Pedro, por sua vez, também trajava algo diferente do habitual.

Jéssica inclinou a cabeça, intrigada.

Seria um dia especial?

— O que você faz aqui? — perguntou a Cesar Batista.

— Vim te convidar para almoçar! — respondeu ele, com um sorriso leve.

— Desculpe, Pedro, fica para outro dia! — Jéssica lhe lançou um sorriso sincero, mas cheio de culpa.

Pedro apertou os punhos, ocultando a tensão pelas calças sociais.

Jéssica deixou o trabalho de lado e saiu para almoçar com Cesar Batista.

— Tem certeza de que vai dar tempo no seu intervalo? — perguntou ela.

Sabia que Cesar tinha uma sala exclusiva na repartição, com toda a equipe técnica à disposição — uma prova da consideração que tinha do governo.

— Meu horário é flexível, ninguém vai me cobrar — respondeu ele, já caminhando até o carro e abrindo a porta do passageiro para Jéssica.

No alto do edifício da FY, Pedro Teixeira olhava pela janela, observando Cesar Batista agir como um verdadeiro cavalheiro ao ajudar Jéssica a entrar no Lexus branco, que logo desapareceu veloz, sumindo do seu campo de visão.

Pedro soltou um suspiro, tirou do bolso da calça um pequeno estojo de presente —

Um presente que não conseguiu entregar.

Jéssica, por sua vez, achava que o convite de Cesar era para um almoço rápido, ali mesmo perto do escritório. Mas ficou estarrecida ao ver que ele entrou na rodovia, acelerando rumo ao desconhecido.

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