Guilherme Serra e Cesar Batista estavam frente a frente.
Um vestia um terno preto, parecendo um imperador sombrio que acabara de sair de um castelo antigo na noite.
O outro, de terno branco, brilhava sob os holofotes como uma estrela de cinema em plena consagração.
Eles sequer haviam trocado uma palavra, e já bastava esse encontro de olhares para que Jéssica Nascimento sentisse a atmosfera pesar ao seu redor, como se o ar tivesse ficado rarefeito e sufocante.
Se pudesse, Jéssica teria puxado Cesar Batista dali sem hesitar.
Enfrentar Guilherme Serra nunca trazia bons presságios.
Mas, ao observar Cesar Batista, percebia que ele não parecia disposto a sair, e Guilherme Serra, por sua vez, exibia aquela postura inflexível de quem não permitiria que partissem antes de obter as respostas que queria.
O rosto de Guilherme Serra era frio como gelo, o olhar cortante como uma lâmina.
Ele fitava Cesar Batista sem desviar, sua hostilidade explícita, impossível de ignorar.
Já Cesar Batista mantinha um sorriso educado, mas a agressividade velada em sua expressão era evidente para qualquer um.
Após longos segundos de silêncio, Guilherme Serra finalmente abriu a boca:
— Qual é a sua relação com Jéssica Nascimento?
Sua voz soava como sempre: firme, controlada, sem emoções aparentes, muito diferente da intensidade de sua presença.
— Sou colega de Jéssica do ensino médio. — respondeu Cesar Batista com tranquilidade, sempre apresentando uma postura gentil e refinada, não importando a quem se dirigisse.
— E isso já autoriza você a segurar a mão dela assim?
Apesar de dirigir-se a Cesar Batista, a pergunta de Guilherme Serra era claramente uma cobrança dirigida a Jéssica Nascimento —
um questionamento direto.
Jéssica logo percebeu que Cesar Batista ainda não soltara sua mão.
No entanto, diante de todos, ela não queria afastá-lo bruscamente e constrangê-lo.
Quando Jéssica pensou em responder, Cesar Batista se adiantou.
— Pelo que ouvi dizer, a senhorita Melissa Garcia também foi sua colega do ensino médio, não foi, Sr. Serra?
Guilherme Serra ergueu as sobrancelhas, com leveza.
— Foi.
— E então, apenas por serem colegas, ela pode te acompanhar de braço dado em um evento público?
A observação de Cesar Batista fez com que os lábios frios de Guilherme Serra se contraíssem levemente.
Após alguns instantes, ele retrucou:
— Doutor Batista, creio que não lhe cabe interferir em meus assuntos privados.
— E por qual motivo o senhor sente-se no direito de se intrometer nos assuntos de Jéssica?
Durante toda a conversa, a voz de Cesar Batista manteve-se calma e cordial, o sorriso nos lábios transmitindo uma elegância clássica e um charme sereno.
A expressão de Guilherme Serra tornava-se cada vez mais sombria, e sua voz, mais gélida.
— Sou o ex-marido dela.

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