Havia uma certa distância entre Guilherme Serra e Jéssica Nascimento.
Não se sabia ao certo se era porque os olhos dela estavam embaçados pelo vinho tinto, ou se era o olhar naturalmente gélido de Guilherme Serra.
Jéssica Nascimento sempre sentia que Guilherme Serra era como uma montanha de gelo, erguida à sua frente.
Ele a observava.
Imóvel.
Jéssica Nascimento esperava encontrar no olhar dele alguma zombaria ou desprezo, mas, na realidade, o olhar de Guilherme Serra parecia congelado, sem deixar transparecer qualquer emoção.
— Guilherme, você chegou! — exclamou Melissa Garcia ao vê-lo, acenando animada.
Só então Guilherme retirou o olhar de Jéssica Nascimento.
Sentou-se ao lado de Melissa Garcia e, ao passar por Jéssica, foi como se ela nem existisse.
Guilherme não disse uma palavra.
Jéssica também permaneceu em silêncio.
Melissa Garcia achara que, ao ver Jéssica toda molhada de vinho, Guilherme ao menos comentaria algo.
Mas ele não comentou.
O silêncio de Guilherme trouxe-lhe um certo deleite.
“Jéssica Nascimento, não adianta tentar se fazer de vítima na frente do Guilherme. Ele sequer se digna a te notar.”
Melissa estava radiante, o sorriso iluminava seu rosto e até a comida parecia mais saborosa.
Jéssica Nascimento foi ao banheiro para tentar limpar o rosto e o corpo do vinho derramado, ao menos para não parecer tão desarrumada.
Trocar de roupa era impossível; havia apenas aquele uniforme de atendente.
Felizmente, o tecido era grosso o suficiente para não absorver tanto líquido; bastou passar um pano na superfície e estava apta a usar de novo.
Depois de ajeitar, ainda que precariamente, a aparência, Jéssica saiu do banheiro e deu de cara com Guilherme Serra.
Silenciosamente, Guilherme lhe ofereceu um lenço.
Jéssica recusou.
Não importava se era por bondade ou compaixão: desde que viesse de Guilherme, ela não queria aceitar.

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