— Guilherme...
Assim que se levantou, Guilherme Serra ouviu o murmúrio de Melissa Garcia.
— Não vá... Guilherme... não... não me deixe... não me abandone sozinha...
Melissa Garcia franzia a testa, gotas de suor frio brotando-lhe na testa. Guilherme Serra sabia que ela estava tendo um pesadelo.
Ir ao exterior para participar de um casamento e acabar sendo sequestrada — mesmo após o resgate, seria difícil para qualquer um, física ou mentalmente, recuperar o senso de segurança.
Guilherme Serra sentou-se novamente ao lado dela, permanecendo ali até que Melissa Garcia adormecesse profundamente. Só então saiu do quarto em silêncio.
Ele ordenou que dois seguranças ficassem de guarda diante da porta de Melissa Garcia.
No corredor, reinava um silêncio absoluto.
As solas dos sapatos sociais de Guilherme Serra pousavam sobre o carpete espesso, sem produzir qualquer ruído.
Quando ergueu a cabeça e viu o número 1237 na porta, percebeu que, quase sem querer, havia caminhado direto para a porta do seu próprio quarto.
Aquele quarto também era o de Jéssica Nascimento.
Guilherme Serra passou o cartão e entrou. O interior estava mergulhado na escuridão.
Ninguém havia voltado ainda.
Já passava das onze e meia da noite.
O quarto estava escuro, refletindo-se nos olhos de Guilherme Serra, tornando-os ainda mais profundos e enigmáticos.
Ele tirou o celular do bolso e fez uma ligação.
Ligou para Jéssica Nascimento.
Pelas mensagens anteriores e pelo que ouvira de Diego Carvalho, Jéssica Nascimento provavelmente tinha saído do jantar acompanhada de algum conhecido — um homem.
O sinal de chamada tocou várias vezes, tanto que Guilherme acreditou que a ligação não seria atendida.
Mas, então, a chamada se completou.
— Alô?
A voz que surgiu do outro lado não era a de Jéssica Nascimento.
Era a de um homem.
Guilherme Serra abaixou um pouco o olhar, seus olhos escurecendo como o mar sem vento numa noite de inverno, profundos e indecifráveis.
— José Paz... A Jéssica Nascimento está com você?
Do outro lado, José Paz silenciou por um instante.

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