O vidro da janela estava quebrado, o que permitia que um leve fio de ar fresco se infiltrasse no ambiente abafado e desagradável do depósito.
A luz da lua atravessava a abertura, deixando claro que lá fora já era noite.
Jéssica Nascimento percebeu que, desde que Diego Carvalho a havia deixado inconsciente, provavelmente não se passara muito tempo.
Após alguns instantes fitando a pequena janela, Jéssica Nascimento mordeu o lábio inferior.
Sentiu-se profundamente desapontada.
A janela era pequena demais e estava alta demais; ela não conseguiria alcançá-la, muito menos escapar por ali.
Precisava pensar em outra saída...
Inspirou fundo, esforçando-se para encontrar uma solução.
O ar ali era úmido, e ela conseguia ouvir o som das ondas do mar.
Provavelmente, Diego Carvalho pretendia fugir de barco, por isso a trancara no depósito do cais.
Além dela, havia mais alguém naquele lugar: um homem encarregado de vigiá-la.
Era estrangeiro, com feições duras, uma cicatriz no rosto e uma tatuagem na mão — tudo nele indicava que fazia parte do submundo.
Jéssica Nascimento cogitou se conseguiria negociar com ele em outro idioma, oferecendo-lhe uma quantia generosa em troca de uma chance de sobreviver.
— Quanto Diego Carvalho prometeu pagar a você? Eu te dou o dobro.
Jéssica Nascimento falou em outra língua.
O capanga de Diego Carvalho, no entanto, respondeu em português:
— Se falar mais uma palavra, corto sua língua fora.
O coração de Jéssica Nascimento disparou de medo.
Percebeu que não conseguiria nada com dinheiro. Precisava pensar em outro plano.
Sentou-se com dificuldade, sempre de olho no capanga, e, discretamente, tirou a aliança de diamante do dedo anelar esquerdo.
O anel, com corte princesa e detalhes vazados, tinha arestas expostas — perfeito para tentar cortar as cordas que a prendiam.

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