Jéssica Nascimento lutava, mas quanto mais ela se debatia, mais brutais ficavam os movimentos de Guilherme Serra.
O sabor de ferrugem se espalhou em sua boca, e Jéssica Nascimento percebeu que Guilherme Serra havia mordido seu lábio até sangrar.
— Guilherme Serra, você ficou maluco?!
Assim que conseguiu empurrá-lo, Guilherme Serra a segurou pelos ombros com força.
A dor nos ombros fez o rosto de Jéssica Nascimento se contorcer.
Nesse momento, Guilherme Serra a soltou de repente.
Jéssica Nascimento viu que ele apertava fortemente a mão ferida, deixando o sangue pingar sem se importar.
De repente, ela percebeu que Guilherme Serra parecia usar a dor para se manter desperto.
Será que Guilherme Serra... estava sob efeito de alguma droga?
Jéssica Nascimento já havia passado por algo semelhante, por uma substância que desperta desejos incontroláveis — e sabia como era insuportável, quase pior que a morte.
Naquela vez, ela não teve forças nem clareza para reagir.
Por sorte, no final, tudo terminou sem maiores consequências.
Jéssica Nascimento observava Guilherme Serra em silêncio, vendo o olhar turvo, mas ainda assim teimoso, dele.
Será que Guilherme Serra havia mudado?
Ou continuava o mesmo?
Jéssica Nascimento balançou a cabeça.
Não era hora de pensar nisso.
Ela precisava ajudar Guilherme Serra.
Mas como?
— Guilherme Serra, aguenta só mais um pouco, vou te levar para o hospital agora...
Jéssica Nascimento se aproximou com cuidado, mas Guilherme Serra cambaleou e caiu sobre ela.
Ela foi derrubada ao chão por ele.
— Não... podemos... ir ao hospital...
A voz de Guilherme Serra, abafada contra o ouvido dela, soava fraca como folhas secas sendo esmagadas.
— Você... precisa se levantar...
Jéssica Nascimento tentou empurrá-lo, mas ele não se movia.
A mente de Guilherme Serra alternava entre momentos de lucidez e confusão, e sua temperatura corporal estava alarmantemente alta.

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