— Para você.
Quando Natan Morais estendeu para Jéssica Nascimento um enorme buquê de rosas vermelhas sem estames, Jéssica ficou sem saber o que fazer.
— O que você está fazendo aqui?
— Ouvi você me agradecer na passarela, então resolvi aparecer.
Natan falou com honestidade.
Apesar de, por trás dos óculos de armação dourada, os olhos de Natan sempre transmitirem uma irreverência descontraída, Jéssica não percebeu sinal de mentira em suas palavras.
— Pode ficar tranquila com as flores. Arranquei todos os estames, depois colei pétala por pétala de novo. Deu um trabalho danado.
O tom de Natan era de quem esperava reconhecimento, mas Jéssica não conseguiu evitar de pensar:
Por que passar por tanto trabalho em vez de dar outra coisa?
— Obrigada, aceito as flores.
De qualquer forma, Natan havia lhe dado as flores com sinceridade, Jéssica não teria por que recusar.
Era a primeira vez que ela segurava um buquê tão grande sem espirrar uma única vez.
Jéssica entrou no elevador do hotel, e Natan veio atrás.
— Você também está hospedado aqui? — perguntou Jéssica, surpresa.
Com a condição e status de Natan, não havia motivo para ele se hospedar num hotel simples como aquele.
— Não — respondeu ele, balançando a cabeça.
O elevador chegou ao andar. Jéssica saiu primeiro, Natan veio logo atrás.
— Estou sem lugar para ficar, então, com todo respeito, vou ter que me arranjar com você por uma noite.
Jéssica parou bruscamente e virou-se para Natan.
Ele estava com uma mão no bolso e, com a outra, ajustava os óculos dourados, exibindo um sorriso elegante.
Jéssica não sabia dizer se ele estava brincando ou falando sério.
— Homens e mulheres precisam manter limites. Já pensou se eu quero ou não dividir um quarto com você?
Natan sorriu.
— Se você não quiser, eu te forço a aceitar. O que acha?
— Se fizer isso, chamo a polícia.

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