Depois de se recuperar do ferimento na perna, Jéssica Nascimento dirigiu até a Casa do Sol Nascente.
Hadassa Nascimento estava regando as flores no parapeito da janela e, ao ver Jéssica chegar, abriu um sorriso radiante.
— Jéssica, venha ver! Olha só como as nossas rosas estão lindas.
Jéssica Nascimento forçou um sorriso, meio sem graça, e respondeu com um tom amargo:
— Estão mesmo, mãe. É tudo mérito seu.
Na verdade, aquelas flores eram artificiais, de plástico.
Jéssica sabia que Hadassa, às vezes, estava lúcida, outras vezes, confusa. Sentou-se ao lado da mãe, para lhe fazer companhia e conversar um pouco. No meio da conversa, Hadassa mencionou Guilherme Serra espontaneamente.
— O Guilherme é mesmo um bom rapaz. Da última vez que me perdi, se não fosse ele me encontrar, acho que teria morrido de fome na rua!
— O quê?
Jéssica ficou surpresa.
Olhou atentamente para a mãe, mas na expressão de Hadassa não havia diferença alguma em relação ao momento em que regava as flores de plástico.
— Mãe, você está enganada. Da última vez, quem te trouxe de volta foi a polícia.
Na época, Jéssica estava internada e, na verdade, não sabia ao certo os detalhes, mas tinha certeza de que havia sido a polícia que encontrara Hadassa.
Pelo menos, ninguém jamais lhe dissera que Guilherme tinha encontrado Hadassa — nem ele mesmo.
— Não, eu não me enganei, foi o Guilherme, sim. — Hadassa afirmou, convicta.
Jéssica não tinha disposição para discutir com a mãe.
Afinal, Hadassa era doente, às vezes lúcida, às vezes confusa, misturava fatos na memória, e muitas vezes acabava tomando suas imaginações como realidade.
Por isso, Jéssica não podia acreditar integralmente em tudo que Hadassa dizia.
Pelo menos, nesse caso, ela não acreditava na história da mãe.
Conversaram mais um pouco e Jéssica percebeu o quanto Hadassa gostava de falar sobre Guilherme Serra: não parava de elogiar o rapaz, dizendo como era atencioso, como era um exemplo de pessoa.
E só quando falava de Guilherme, os olhos de Hadassa ganhavam um brilho especial.
— Jéssica, estou com saudades do Guilherme, será que ele pode vir me visitar? Aliás, por que você não veio com ele? Você não sabe, aquele dia eu fugi de casa porque sonhei que você e o Guilherme tinham se divorciado, acordei tão assustada...

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