O Boteco Aurora era um barzinho discreto, mas exclusivo para sócios.
Jéssica Nascimento não era sócia. Assim que desceu do carro, viu Pedro Teixeira já parado à porta, à sua espera.
— Esperou muito? — Jéssica Nascimento se aproximou de Pedro Teixeira.
— Não, cheguei agora mesmo.
Pedro Teixeira conduziu Jéssica Nascimento para o interior do bar e sentaram-se em uma das cabines reservadas.
As bebidas já estavam encomendadas. Pedro Teixeira entregou-lhe um copo de margarita.
Enquanto bebia, Jéssica Nascimento desculpou-se:
— Me desculpe pelo episódio de hoje. O jantar acabou arruinado, da próxima vez faço questão de convidar você novamente.
— Claro, combinado!
Pedro Teixeira aceitou o pedido de desculpas sem rodeios.
— Guilherme Serra te procurou... foi para falar do divórcio, não foi?
Pedro Teixeira perguntou como se não desse importância, mas Jéssica Nascimento, sentada ao lado, percebeu a cautela em sua voz.
Ela suspeitava que o convite para aquele encontro era justamente para abordar esse assunto.
— Foi.
Jéssica Nascimento assentiu.
Sobre o divórcio, ela realmente não queria se alongar.
Mas via claramente a curiosidade de Pedro Teixeira.
— Ele te pressionou? — perguntou Pedro, preocupado.
— Não. No passado, sim, mas desta vez não. — Jéssica Nascimento balançou a cabeça, forçando um sorriso. — Pelo contrário, ainda me ofereceu uma indenização de oitenta milhões!
Jéssica Nascimento achava que oitenta milhões já era uma soma absurda. Imaginou que Pedro ficaria surpreso, mas ele apenas comentou com naturalidade:
— É o mínimo que ele devia fazer... Se fosse até em bilhões, eu não acharia exagero.
Jéssica Nascimento não pôde deixar de rir.
Ela realmente não se considerava digna de tanto dinheiro.
Especialmente para Guilherme Serra.
— Se ele não te fez mal, e o dinheiro é aceitável, então por que ainda está tão inquieta?
Jéssica Nascimento ficou surpresa, olhando para Pedro Teixeira.

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