O corpo de Jéssica Nascimento vacilou, e por um instante ela pensou que Guilherme Serra fosse empurrá-la do prédio, fazendo-a suar frio.
Mas Guilherme Serra a segurou a tempo, envolvendo-a firmemente em seus braços.
Jéssica Nascimento ficou paralisada, o coração batendo acelerado.
O abraço de Guilherme Serra sempre exalava um perfume masculino agradável.
Desta vez não foi diferente.
Porém, ele havia trocado de fragrância.
Agora, o aroma lembrava o degelo de uma geleira: fresco, cortante, com um fundo olfativo sedutor e perigoso.
Jéssica Nascimento sabia bem que seu coração não disparava por estar nos braços de Guilherme Serra.
E sim pelo susto, pelo medo que ainda a dominava.
Guilherme Serra continuava segurando-a, ambos de pé à beira do terraço; um passo em falso, um descuido no equilíbrio, e os dois despencariam juntos.
Do octogésimo andar até o chão, virariam uma tragédia irreconhecível.
Jéssica Nascimento não ousava se mexer, permanecendo imóvel nos braços de Guilherme Serra.
O vento aumentou.
O tempo, porém, parecia desacelerar.
— Era esse o resultado que você queria?
A voz fria de Guilherme Serra soou como uma lufada que congela a pele.
Jéssica Nascimento permaneceu em silêncio.
— Divórcio litigioso, o valor da Grupo Serra evaporando, funcionários da empresa ameaçando se jogar do prédio.
Antes que Guilherme Serra terminasse, Jéssica Nascimento o empurrou abruptamente.
Guilherme Serra sentiu o impacto no peito, e por reflexo agarrou a mão de Jéssica Nascimento.
Tropeçar na beirada do terraço poderia mesmo parecer uma tentativa suicida, mas a acusação de Guilherme Serra deixou Jéssica Nascimento indignada.
— O que eu ganharia forçando um funcionário da sua empresa a pular do prédio? Se fosse para forçar alguém, deveria ser você, não acha?
Ao ver Jéssica Nascimento como um gato de pelos eriçados, Guilherme Serra deu de ombros e sorriu.

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