Jéssica Nascimento não conseguiu evitar: encarou o rosto do homem à sua frente, seus olhos fixos, quase hipnotizados.
Felipe Rocha sorriu de leve.
— O que foi, sou tão bonito assim?
Só então Jéssica percebeu seu deslize e desviou o olhar às pressas.
— Me desculpe...
— Você sujou meu sapato desse jeito e acha que só um “me desculpe” resolve?
A atitude do homem à sua frente era ríspida, e Jéssica franziu a testa sem perceber.
Então era esse o famoso Felipe Rocha, o advogado de Cidade T, que nunca perdera uma causa de divórcio? Não imaginava que ele tivesse essa personalidade.
— Desculpe, bebi demais... Quanto custou esse sapato? Pago em dobro pra você. — Jéssica estendeu seu cartão de visitas para Felipe Rocha.
Felipe pegou o cartão, lançou um olhar de cima a baixo, arqueou suavemente as sobrancelhas.
— Não precisa pagar. Basta se ajoelhar e limpar pra mim.
Jéssica ficou paralisada, o álcool sumindo de sua cabeça.
— Sr. Rocha, se continuar assim, vou chamar a polícia.
— Você sabe meu sobrenome?
Jéssica tapou a boca de imediato. Felipe cruzou os braços, rindo com evidente satisfação.
— Ah, agora lembrei... Você foi hoje no meu escritório tentar marcar uma consulta sobre divórcio, não foi?
Na verdade, Jéssica tinha mesmo feito o cadastro na recepção. Não esperava que Felipe lembrasse.
O advogado, ao retornar ao escritório, pegou o caderno de registros e viu o nome e telefone de Jéssica Nascimento — coincidia com o cartão de visitas que ela acabara de lhe entregar.
Felipe a examinou dos pés à cabeça.
Não era comum ver alguém vestida como se fosse a uma entrevista de emprego em um KTV, e menos ainda com a beleza marcante de Jéssica Nascimento.
Felipe passou a língua pelos lábios.
— Você faz ideia de quantas pessoas querem que eu seja seu advogado no divórcio?
— A recepcionista disse que a fila vai até o começo do ano que vem.
— Exato.
Felipe caminhou a passos largos, forçando Jéssica a recuar instintivamente.

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