Jéssica Nascimento recebeu o prêmio e só quando chegou à porta do vestiário tirou o capacete.
O vestiário feminino era separado do masculino e, daquele lado, não havia mais ninguém além dela.
Jéssica Nascimento entrou ainda com o macacão de corrida e saiu já vestida com suas próprias roupas.
Correr de carro, além de garantir prêmios em dinheiro, permitia a Jéssica Nascimento aliviar a tensão. Aquela sensação ao fazer curvas no limite, a conquista de ser a primeira a cruzar a linha de chegada... Mesmo depois do fim da corrida, ao relembrar, ela ainda sentia o mesmo entusiasmo vibrando em suas veias.
Naquele momento, a noite já estava avançada.
Do lado de fora do autódromo internacional, o público que assistira à corrida saía aos poucos; as pessoas foram sumindo até não restar mais ninguém.
Um Lamborghini amarelo, cor de orion, permanecia estacionado à beira da rua, imóvel.
Patricio Ramos estava ali dentro já fazia quase meia hora.
Na mente dele, a imagem de Júlia Navarro tirando o capacete na porta do vestiário se repetia sem parar. O coração de Patricio Ramos disparava, pulsando forte até aquele instante.
— Não pode ser...
Murmurou para si, sem conseguir entender.
— Júlia Navarro... como poderia ser Jéssica Nascimento?
No dia seguinte, Jéssica Nascimento não foi direto para o escritório. Ela pegou o carro e foi para Cidade T.
Em Cidade T havia um escritório de advocacia famoso; diziam que o sócio, Felipe Rocha, nunca perdera uma causa de divórcio.
Depois de ter fracassado em Cidade A, Jéssica Nascimento decidiu tentar a sorte em Cidade T.
— Desculpe, Sra. Nascimento, mesmo para uma consulta, é preciso agendar com antecedência. E a agenda do Dr. Felipe já está cheia até o início do ano que vem.
— Até o início do ano que vem? — Jéssica Nascimento ficou chocada.
Mas, de fato, o que sustentava tantos escritórios de advocacia eram os casos de divórcio. Isso mostrava quantas pessoas queriam se divorciar todo ano e não conseguiam.

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