Patricio Ramos achava Jéssica Nascimento repugnante. Pensou em largar os esboços de design que segurava, mas acabou olhando novamente, reparando nas marcas de várias correções e ajustes. Os desenhos não pareciam plágio, e sim um complemento e aperfeiçoamento de sua própria inspiração.
— Não é possível...
Será que aqueles grandes sucessos recentes do Grupo Serra tinham realmente sido desenhados por Jéssica Nascimento?
Uma dúvida surgiu em sua mente, e o desprezo que sentia por ela já não era tão intenso quanto antes.
Jéssica Nascimento acordou de ressaca, com uma dor de cabeça lancinante e lapsos de memória.
Ao abrir os olhos, percebeu que estava deitada em sua cama, em casa, com a mesma roupa da noite anterior.
Apesar de tudo sugerir que não havia acontecido nada ruim depois de se embriagar, agora, sóbria, Jéssica Nascimento sentiu um leve temor.
Na noite anterior, tinha sido impulsiva e emocional demais.
Só porque Guilherme Serra lhe ofereceu um aniversário romântico, que na verdade era uma compensação por ter lhe tirado a pedra preciosa, ela se deixou levar e afogou as mágoas na bebida.
Não valeu a pena.
E se tivesse encontrado alguém perigoso...
As consequências poderiam ter sido terríveis.
Jéssica Nascimento massageou a cabeça dolorida e saiu do quarto para se servir de um copo d'água.
Ao virar-se, viu Patricio Ramos dormindo ruidosamente no sofá.
Jéssica levou um susto.
Patricio também acordou e explicou rapidamente o que havia acontecido na noite passada.
— Então agradeça! Se não fosse por mim ontem, nem quero imaginar o que teria acontecido com você! Me diz, por que uma mulher como você vai beber tanto sozinha? Queria que o Guilherme ficasse com pena de você?
O tom de Patricio era ríspido, desdenhoso como sempre, como se não suportasse Jéssica.
Em situações normais, Jéssica certamente retrucaria, mas, como foi Patricio quem a trouxe para casa na noite anterior, ela sabia que devia agradecê-lo.
— Patricio, obrigada por não ter me deixado sozinha ontem.
Enquanto agradecia, Jéssica serviu dois copos d'água, um para si e outro para Patricio.
— Não se engane, não fiz isso por você. Fiz pelo Guilherme. Você, afinal, é esposa dele. Se algo te acontecesse, a imagem dele seria prejudicada.

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