— São feitos um para o outro, perfeitos em tudo, um casal abençoado mesmo! — murmuravam alguns convidados ao redor.
Jéssica Nascimento ouvia essas conversas paralelas em silêncio, o rosto pálido mesmo sob a maquiagem cuidadosa.
No amor, ela não era páreo para Melissa Garcia.
Na carreira, tampouco.
Jéssica Nascimento sentia uma aversão profunda por si mesma.
Agora, José Paz também levava sua noiva para dançar.
Mesmo que trocassem algumas palavras formais, Jéssica percebia claramente o distanciamento deliberado de José em relação a ela.
Afinal, fora ela quem cortara todos os laços com José Paz.
No olhar de José, ela não passava de uma mulher interesseira, alguém que trocou uma amizade por cinquenta milhões.
— Jéssica Nascimento, quer dançar? — perguntou Pedro Teixeira, percebendo tarde demais o semblante ferido da amiga, e se deu conta de que tocara numa ferida aberta.
— Me desculpe, falei besteira.
Jéssica balançou a cabeça.
Ela entendia que Pedro Teixeira a trouxera àquele evento para apresentá-la a novas pessoas, para ajudá-la a se inserir naquele círculo social.
— Eu preciso de um tempo sozinha, pode ficar à vontade.
— Tá bem...
Pedro ficou hesitante, mas decidiu dar espaço a ela, sem pressionar.
Jéssica Nascimento saiu sozinha até a varanda do salão de festas, buscando o vento fresco da noite.
Ela precisava de clareza, de calma.
— Saulo Araújo acabou escolhendo o projeto da Melissa, imagino que já tenha sido informada, não? — disse uma voz masculina, acompanhada de um discreto perfume amadeirado.
Jéssica reconheceu de imediato. Guilherme Serra se aproximou, segurando um copo de tequila com gelo.
Ela ignorou Guilherme.
Guilherme Serra nunca a amou — seu coração sempre pertenceu a Melissa Garcia.
Dez anos de amor platônico que agora pareciam uma piada de mau gosto.

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