Deitada na cama, Jéssica Nascimento tinha acabado de se ajeitar para tirar um cochilo quando recebeu a resposta de Guilherme Serra:
— Não preciso que você se meta na minha vida. A partir de amanhã, nós dois seremos completos estranhos.
A frieza cortante da mensagem despertou Jéssica de imediato, dissipando todo o sono. Ela passou a mão sobre o curativo na testa.
Mesmo usando o curativo, a ferida parecia doer ainda mais, de um jeito inexplicável.
Grupo Serra.
Escritório da Diretoria Geral.
Após ouvir o relatório de Carlos, Guilherme Serra finalmente percebeu que Melissa Garcia segurava seu celular.
— O que foi?
— Nada de mais, era só uma mensagem de assédio. Deletei para você.
Melissa Garcia entregou o telefone de volta a Guilherme Serra.
Sem sequer olhar, ele largou o aparelho sobre a mesa.
Jéssica Nascimento achava que finalmente teria uma boa noite de sono, mas foi surpreendida por sonhos ruins e acordou várias vezes sobressaltada. Pela manhã, sua cabeça latejava como se estivesse prestes a explodir.
Retirou o curativo da testa: a ferida já começara a cicatrizar, mas ainda doía.
Com uma maquiagem leve e discreta, vestiu um conjunto formal.
Hoje era o dia de ir ao cartório registrar o divórcio.
Mais solene do que o dia em que foi assinar o casamento.
Com o divórcio, dez anos de história de amor chegariam ao fim.
Jéssica abriu o álbum privado e protegido por senha no celular.
Ainda estava lá aquela velha foto.
Ela deveria apagá-la.
Ela precisava apagar.
Depois de hesitar muito, tocou no botão de excluir.
Hesitou de novo e cancelou a ação.
Melhor esperar até ter o divórcio em mãos.
Jéssica admitia para si mesma: não era alguém que sabia deixar o passado para trás tão facilmente.

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