— Meu pai quer que a gente se divorcie.
O vento fazia a voz calma de Guilherme Serra soar quase inaudível.
Jéssica Nascimento virou o rosto, sem saber se tinha entendido direito.
Guilherme Serra mantinha o olhar fixo na estrada à frente, o rosto lindo e imperturbável como o mar em dia de calmaria.
Jéssica abriu a boca, respirando um pouco do ar fresco.
No fim, não perguntou nada.
Guilherme Serra conduziu o carro até os Jardins de Brisa.
Jéssica, naquele estado, não tinha mais o que questionar. Mesmo sem vontade de voltar ali, já que estavam, ao menos precisava se limpar um pouco.
Se não estava enganada, Melissa Garcia e Guilherme Serra estavam morando juntos.
Naquele mesmo apartamento que ela e Guilherme compraram como novo lar.
Como esperado, assim que a porta se abriu, Jéssica viu o tom de rosa que não pertencia àquele lugar.
Um rosa gritante.
Guilherme notou o incômodo nos olhos de Jéssica, mas não disse palavra. Apenas entregou a ela uma camisola rosa.
Aquela camisola não era de Jéssica.
Imaginou que Melissa Garcia não queria ver, ali, nada que fosse dela.
— Não quero vestir isso — recusou Jéssica, sem hesitar.
— É nova. Acabei de comprar.
— Mesmo assim, não quero.
— Então pode sair nua, se preferir!
Guilherme recolheu a camisola.
Jéssica entrou no banheiro e, ao olhar em volta, viu apenas dois roupões: um masculino, de Guilherme, e outro feminino, certamente de Melissa Garcia.
O estômago embrulhou, pior que cheiro de ovo podre. A cada segundo ali, a ânsia aumentava.
Ela terminou o banho na maior velocidade possível — e só então percebeu que não conseguiria sair.
— Guilherme? Está aí?
Silêncio do lado de fora.
— Guilherme?
Tremendo, Jéssica abriu a porta.

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