Guilherme Serra não tentou impedir.
Quando Jéssica Nascimento já estava quase chegando à saída, um Maybach preto passou devagar ao seu lado. Guilherme Serra abaixou o vidro do carro e disse suavemente para ela:
— Foi difícil preparar o remédio, não foi?
Os ombros de Jéssica tremeram levemente.
Diante de seus olhos, o carro de Guilherme Serra sumiu à distância, até desaparecer por completo.
Ela foi diminuindo o passo, sem saber ao certo se era o cansaço das pernas ou o peso do próprio coração.
Era uma noite silenciosa e adiantada, quase onze horas; até o metrô já havia parado.
Jéssica, sozinha, chamou um táxi e memorizou a placa do carro.
O táxi rodava há alguns minutos quando o motorista perguntou de repente:
— Moça, você conhece aquele carro atrás da gente? Parece que está nos seguindo, você conhece o motorista?
Jéssica virou a cabeça para olhar, mas só conseguiu distinguir que era um carro preto que vinha atrás.
Com certeza não era o Maybach de Guilherme Serra.
— Não conheço…
— Que estranho, ele está mesmo seguindo a gente!
As palavras do motorista deixaram Jéssica alerta.
Ela ligou para Lívia Gomes, pedindo para que descesse e a esperasse quando estivesse chegando. Em seguida, passou um novo endereço ao motorista, pedindo que a levasse até a casa de Lívia.
Quarenta minutos depois, Lívia finalmente avistou Jéssica do lado de fora do prédio.
Lívia segurou a mão de Jéssica e, esticando o pescoço, olhou ao redor, sem encontrar nenhum carro preto suspeito.
— Parece que está tudo bem.
— Sim, obrigada, Lívia.
— Se continuar com tanta formalidade, vou ficar brava.
— Tá bom, tá bom. Tem alguma coisa pra comer em casa? Tô morrendo de fome.
— Só tem miojo.
— Quer pedir uma comida pra mim? Estou com vontade de comer comida japonesa.
— Então é melhor você continuar sendo educada comigo!
As duas subiram rindo.

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